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Ciência

A nova câmera criada por cientistas consegue enxergar o que era invisível e pode transformar a física e a medicina

Uma tecnologia desenvolvida na Suíça promete registrar partículas quase impossíveis de detectar. O sistema cria imagens tridimensionais em alta velocidade e pode abrir caminho para avanços científicos e médicos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Existem partículas que atravessam o nosso corpo e o planeta inteiro sem que percebamos sua presença. Capturá-las sempre foi um dos maiores desafios da física moderna. Agora, pesquisadores desenvolveram uma tecnologia que promete mudar esse cenário. O novo sistema combina câmeras especiais, sensores ultrassensíveis e inteligência artificial para reconstruir em três dimensões o caminho percorrido por partículas praticamente invisíveis, com aplicações que podem ir muito além dos laboratórios.

Uma nova tecnologia promete simplificar um dos maiores desafios da física

A nova câmera criada por cientistas consegue enxergar o que era invisível e pode transformar a física e a medicina
© Unsplash

Pesquisadores da ETH Zurich, na Suíça, apresentaram um detector inovador chamado PLATON, desenvolvido para observar partículas extremamente difíceis de identificar, como os neutrinos.

Essas partículas interagem muito pouco com a matéria comum, atravessando praticamente tudo ao seu redor sem deixar rastros fáceis de detectar. Por isso, experimentos dedicados ao seu estudo costumam depender de equipamentos gigantescos, altamente complexos e compostos por milhões de pequenos sensores.

O PLATON segue um caminho completamente diferente.

Em vez de dividir o detector em inúmeras partes microscópicas, os cientistas criaram um sistema capaz de trabalhar com um único bloco de material que emite pequenos flashes de luz quando atravessado por partículas carregadas.

A grande inovação está na forma como essa luz é analisada.

Utilizando uma combinação de câmeras avançadas, sensores capazes de detectar fótons individuais e algoritmos de inteligência artificial, o equipamento reconstrói rapidamente a trajetória das partículas em três dimensões com alta precisão.

Essa abordagem reduz drasticamente a complexidade estrutural dos detectores tradicionais e pode facilitar a construção de equipamentos maiores no futuro.

O sistema usa uma tecnologia inspirada em câmeras muito diferentes das convencionais

O funcionamento do PLATON é baseado em um conceito conhecido como câmera plenóptica, também chamada de câmera de campo de luz.

Ao contrário das câmeras comuns, que registram apenas a intensidade da luz recebida, esse tipo de equipamento também captura a direção de onde cada raio luminoso se origina.

Essa informação adicional permite reconstruir profundidade e criar imagens tridimensionais extremamente detalhadas.

Para alcançar esse resultado, a tecnologia utiliza uma matriz formada por centenas de microlentes.

Cada uma delas registra a mesma cena sob um ângulo ligeiramente diferente, funcionando como uma enorme coleção de pequenas câmeras trabalhando simultaneamente.

Quando aplicada à física de partículas, essa técnica oferece uma vantagem importante.

Os flashes produzidos pelos materiais cintiladores costumam ser extremamente fracos. Em muitos casos, apenas alguns poucos fótons são emitidos durante a passagem de uma partícula.

Para registrar esses sinais mínimos, os pesquisadores combinaram as câmeras plenópticas com sensores de diodos de avalanche capazes de detectar fótons individuais, algo fundamental para reconstruir trajetórias mesmo quando a quantidade de luz é muito pequena.

Os primeiros testes mostraram resultados promissores

Durante os experimentos realizados em laboratório, a equipe avaliou o desempenho do detector utilizando diferentes níveis de luminosidade.

Os testes foram conduzidos desde situações com algumas centenas de fótons até cenários extremamente desafiadores, nos quais apenas cinco fótons estavam disponíveis.

Mesmo nessas condições, o protótipo conseguiu identificar elétrons e reconstruir com precisão suas posições dentro do bloco de material cintilador.

Segundo os pesquisadores, os resultados confirmam que o conceito funciona e abre caminho para versões ainda mais avançadas do equipamento.

A próxima geração do PLATON já está em desenvolvimento.

Ela deverá incorporar uma nova matriz de sensores de diodos de avalanche com maior eficiência na captura de fótons e tempos de resposta ainda mais precisos.

Essas melhorias permitirão reconstruções tridimensionais mais detalhadas e ampliarão o alcance da tecnologia para experimentos cada vez mais complexos.

O impacto pode ir muito além da física de partículas

Embora o projeto tenha sido criado inicialmente para pesquisas em física, seus criadores acreditam que o potencial da tecnologia ultrapassa esse campo.

Uma das aplicações mais promissoras envolve a área médica.

Os pesquisadores já solicitaram patentes para adaptar o sistema ao uso em exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET), técnica amplamente utilizada para localizar tumores, acompanhar doenças neurológicas e monitorar diversos processos metabólicos dentro do organismo.

Ao oferecer imagens mais precisas e uma detecção extremamente sensível, o PLATON poderá contribuir para exames médicos mais detalhados e eficientes.

Além disso, especialistas acreditam que tecnologias desse tipo poderão ser empregadas futuramente em outras áreas científicas que dependem da detecção de sinais extremamente fracos.

Se os próximos testes confirmarem os resultados iniciais, o detector desenvolvido pela ETH Zurich poderá representar uma mudança significativa tanto na investigação dos componentes fundamentais do Universo quanto no desenvolvimento de novas ferramentas para a medicina de imagem.

[Fonte: Cadena3]

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