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Ciência

Exoplaneta a 48 anos-luz dá o maior passo na busca por uma segunda Terra

Astrônomos encontraram fortes evidências de que o exoplaneta LHS 1140 b reúne, pela primeira vez, os três principais requisitos para ser potencialmente habitável: superfície rochosa, localização na zona habitável e uma atmosfera preservada por bilhões de anos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A busca por um planeta semelhante à Terra acaba de alcançar um marco histórico. Astrônomos confirmaram que o exoplaneta LHS 1140 b, localizado a apenas 48 anos-luz de distância, possui uma atmosfera e reúne os três critérios considerados fundamentais para um mundo potencialmente habitável. Publicado na revista Science, o estudo representa um dos avanços mais importantes das últimas décadas na exploração de exoplanetas e aproxima os cientistas da identificação de um verdadeiro “gêmeo” da Terra.

LHS 1140 b reúne o chamado “triângulo dourado” da habitabilidade

Desde a descoberta dos primeiros exoplanetas, os cientistas procuram mundos capazes de sustentar condições semelhantes às da Terra.

Para isso, costumam buscar três características consideradas essenciais, conhecidas informalmente como o “triângulo dourado” da habitabilidade.

O planeta precisa ser rochoso, estar localizado na zona habitável de sua estrela — onde as temperaturas permitem a existência de água líquida — e manter uma atmosfera estável.

Até agora, diversos exoplanetas atendiam a um ou dois desses requisitos. No entanto, nenhum apresentava evidências convincentes de reunir os três ao mesmo tempo.

Segundo os pesquisadores do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, LHS 1140 b é o primeiro candidato conhecido que demonstra satisfazer essas três condições.

O planeta possui cerca de 5,6 vezes a massa da Terra e orbita uma anã vermelha relativamente fria, a uma distância que favorece temperaturas compatíveis com água líquida na superfície.

Atmosfera é a peça que faltava

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© NASA

A maior novidade do estudo está justamente na confirmação de que o planeta preserva uma atmosfera.

Os pesquisadores detectaram assinaturas espectrais de hélio escapando do exoplaneta. Em seguida, utilizaram modelos físicos para reconstruir esse processo e concluir que a atmosfera existe há pelo menos 3 bilhões de anos.

Essa descoberta é especialmente importante porque a atmosfera exerce um papel fundamental na habitabilidade de um planeta.

Na Terra, ela mantém a água em estado líquido, regula a temperatura, estabiliza o clima e protege a superfície contra parte da radiação espacial.

Sem uma atmosfera duradoura, mesmo um planeta localizado na zona habitável dificilmente conseguiria manter condições favoráveis para a vida como a conhecemos.

Descoberta não significa que exista vida

Apesar da importância do resultado, os cientistas fazem um alerta importante.

A presença de uma atmosfera não significa que LHS 1140 b abrigue vida.

Também não há evidências de que o planeta possua oceanos, vegetação ou qualquer outro indício de atividade biológica.

Na verdade, a própria composição atmosférica parece ser bastante diferente da terrestre.

A quantidade de hélio detectada sugere que as camadas superiores da atmosfera são distintas das da Terra. Já nas regiões inferiores, os pesquisadores acreditam que possam existir gases mais pesados, como nitrogênio, dióxido de carbono ou monóxido de carbono.

Somente futuras observações poderão confirmar essa hipótese.

Próximo passo será estudar a atmosfera em detalhes

Além da descoberta em si, o estudo valida uma nova técnica para investigar atmosferas de exoplanetas.

Com instrumentos mais avançados, os cientistas pretendem analisar LHS 1140 b em maior profundidade para identificar sua composição química, verificar a possível existência de oceanos superficiais e procurar outras características associadas à habitabilidade.

Essas futuras observações poderão revelar se o planeta realmente oferece condições próximas às encontradas na Terra.

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© Pexels

Segundo Robin Wordsworth, professor de Harvard e um dos autores do estudo, a pesquisa representa uma mudança importante na história da exploração de exoplanetas.

Há cerca de duas décadas, os astrônomos ainda discutiam se planetas semelhantes à Terra sequer existiam.

Depois vieram as descobertas de inúmeros mundos rochosos e de vários localizados na zona habitável de suas estrelas.

Agora, pela primeira vez, os cientistas têm evidências robustas de que um desses planetas também conseguiu preservar uma atmosfera por bilhões de anos.

Embora LHS 1140 b ainda esteja longe de ser considerado uma segunda Terra, o estudo aproxima a astronomia de responder uma das maiores perguntas da ciência: se existem outros mundos capazes de oferecer condições para a vida em algum lugar da Via Láctea.

 

[ Fonte: Wired ]

 

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