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Ciência

Seu filho só consegue dormir com você por perto? Especialistas explicam o que pode estar por trás desse comportamento

Muitas crianças pedem companhia na hora de dormir, mesmo depois de conquistarem certa independência. Especialistas apresentam explicações diferentes e revelam quando os pais devem prestar atenção.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A história terminou, as luzes foram apagadas e finalmente chegou a hora de descansar. Mas, quando os pais se levantam para sair do quarto, surge um pedido: ficar mais um pouquinho. Para algumas famílias, a situação se repete todas as noites, inclusive com crianças que antes dormiam sozinhas. Seria medo, insegurança ou apenas um hábito? Duas especialistas em sono infantil mostram que a resposta pode ser mais complexa do que parece.

Por que algumas crianças precisam dos pais para conseguir dormir?

A necessidade de companhia durante a noite pode ter diferentes explicações, dependendo da idade, das experiências e do desenvolvimento emocional da criança.

Uma psicóloga infantil especializada em neuropsicologia e distúrbios do sono observa que alguns casos podem estar relacionados à superproteção.

Segundo essa interpretação, preocupações transmitidas involuntariamente pelos adultos podem dificultar o desenvolvimento da autonomia noturna.

Entretanto, uma pediatra conhecida nas redes sociais apresenta outra perspectiva.

Para ela, parte do problema está nas expectativas dos próprios pais, que frequentemente esperam independência durante o sono antes de a criança estar preparada.

Buscar proximidade, nesse contexto, pode representar uma necessidade legítima de segurança e acolhimento.

A idade também influencia esse comportamento.

Entre os dois e cinco anos, pesadelos e medos noturnos podem se tornar mais frequentes. Algumas dificuldades relacionadas à maturação também podem persistir até os cinco ou seis anos.

Quando uma criança que já dormia sozinha volta a pedir companhia, vale investigar mudanças recentes, como conflitos familiares, dificuldades escolares ou problemas com amigos.

Nem sempre é medo: existe uma diferença que os adultos ignoram

Um dos pontos mais importantes é distinguir a criança que sente medo daquela que simplesmente prefere dormir acompanhada.

A pediatra lembra que muitos adultos também gostam de dividir a cama com seus parceiros, sem que isso seja considerado falta de independência.

Por essa perspectiva, a questão central não é necessariamente onde a criança dorme, mas se ela descansa adequadamente e mantém uma rotina saudável.

Outro fator é a necessidade de proximidade emocional.

Quando pais e filhos passam muitas horas separados, o momento de dormir pode se transformar em uma oportunidade de conexão.

Entretanto, também existem situações em que o medo precisa ser investigado.

A psicóloga relata o caso de uma criança de cinco anos que apresentava pesadelos após assistir a cenas de O senhor dos anéis com o pai.

O adulto não havia percebido que aquelas imagens poderiam ser assustadoras.

Nessa idade, distinguir completamente fantasia e realidade ainda pode ser difícil.

Por isso, obrigar uma criança assustada a permanecer sozinha não resolve necessariamente a origem do problema.

O que fazer quando a criança aparece na cama dos pais durante a madrugada?

As especialistas apresentam interpretações diferentes sobre como lidar com essa situação.

A psicóloga recomenda distinguir episódios ocasionais de comportamentos persistentes.

Após um pesadelo, por exemplo, permitir que a criança receba acolhimento pode ajudá-la a recuperar a tranquilidade.

Quando a situação se repete todas as noites, especialmente depois dos seis anos, ela sugere acompanhá-la de volta ao próprio quarto e investigar as causas.

A pediatra, por outro lado, destaca que não existe uma única organização familiar adequada para todos.

Algumas famílias praticam o compartilhamento da cama, enquanto outras preferem quartos separados ou acompanham os filhos até adormecerem.

O essencial é que a organização seja segura e permita descanso suficiente para todos.

Isso não significa ignorar dificuldades persistentes, mas evitar transformar a independência noturna em uma competição entre crianças.

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© BaLL LunLa – Shutterstock

Como ajudar seu filho a dormir sozinho sem transformar a noite em uma batalha

Para famílias que desejam mudar os hábitos noturnos, a transição gradual pode ser mais confortável do que mudanças repentinas.

Uma estratégia é envolver a criança na organização do quarto, permitindo que escolha elementos da decoração e desenvolva uma relação positiva com o ambiente.

Ler histórias, manter horários regulares e utilizar iluminação suave quando existe medo da escuridão também podem ajudar.

Outra possibilidade é reduzir progressivamente a presença dos adultos.

Inicialmente, os pais podem permanecer próximos da cama. Depois, podem passar a oferecer apenas a mão e, gradualmente, sentar-se mais longe.

Atividades físicas, brincadeiras ao ar livre e menor exposição a telas antes de dormir também favorecem uma rotina de descanso.

Entretanto, comparações com outras crianças devem ser evitadas, pois o desenvolvimento não acontece no mesmo ritmo para todos.

Quando a dificuldade para dormir exige atenção profissional?

Embora pedir companhia seja comum, alguns sinais justificam uma avaliação médica.

Roncos frequentes, pausas respiratórias, sonolência excessiva durante o dia e mudanças importantes de comportamento merecem atenção.

O mesmo vale para pesadelos recorrentes que provocam sofrimento intenso ou dificuldades que prejudicam a rotina familiar.

Quando a necessidade de companhia persiste acompanhada de ansiedade significativa, uma avaliação individual pode ajudar a compreender suas causas.

Dormir sozinho não é, por si só, uma medida de maturidade emocional ou bem-estar infantil.

O mais importante é identificar as necessidades da criança e construir uma rotina segura, acolhedora e sustentável para toda a família.

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