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Ciência

Starliner enfrenta teste decisivo enquanto NASA corre contra o tempo para substituir a Crew Dragon

A cápsula da Boeing deverá voltar ao espaço sem tripulação em dezembro. Se tudo funcionar, astronautas poderão voar na Starliner em 2028.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Depois de sucessivos atrasos e problemas técnicos, a Starliner está prestes a enfrentar um dos testes mais importantes de sua história. A NASA informou que a cápsula da Boeing poderá realizar uma nova missão não tripulada a partir de dezembro, etapa fundamental para decidir se o veículo finalmente poderá transportar astronautas regularmente.

A agência espacial americana tem um motivo adicional para fazer o programa funcionar. A Crew Dragon, da SpaceX, é atualmente sua única opção operacional nos Estados Unidos para levar astronautas à órbita baixa da Terra, mas a empresa pretende aposentar gradualmente a cápsula enquanto concentra seus esforços na Starship.

Se o próximo voo da Starliner for bem-sucedido, a NASA espera liberar uma missão tripulada para meados de 2028.

Starliner terá uma nova oportunidade em dezembro

O administrador da NASA, Jared Isaacman, revelou o novo cronograma durante uma coletiva de imprensa.

Segundo ele, a agência trabalhou junto à Boeing para solucionar os problemas identificados nos voos anteriores da Starliner. A intenção continua sendo colocar a nave em operação para atender tanto a Estação Espacial Internacional quanto futuros destinos comerciais na órbita baixa.

Antes de transportar novamente astronautas, porém, a cápsula terá que provar que os problemas de seu último voo foram realmente corrigidos.

A próxima missão será realizada sem tripulação e funcionará principalmente como uma avaliação de engenharia.

Os resultados determinarão os próximos passos.

O primeiro voo tripulado terminou muito diferente do planejado

A história recente da Starliner explica a cautela.

Em 5 de junho de 2024, a cápsula decolou levando os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams para a Estação Espacial Internacional em seu primeiro teste tripulado.

A missão deveria ser relativamente curta.

Durante o voo, porém, cinco propulsores da Starliner apresentaram problemas. A nave também sofreu cinco vazamentos de hélio, sendo que um deles já havia sido identificado antes do lançamento.

Os problemas levantaram dúvidas sobre a segurança da cápsula durante o retorno à Terra.

Depois de semanas de análises, a NASA decidiu que Wilmore e Williams não voltariam a bordo da Starliner.

A cápsula retornou vazia em setembro de 2024. Os dois astronautas acabaram regressando posteriormente em uma Crew Dragon da SpaceX.

Boeing passou dois anos tentando resolver os problemas

Desde então, engenheiros da Boeing e da NASA trabalham para descobrir exatamente o que aconteceu e modificar os sistemas problemáticos.

Um dos principais focos foi o sistema de propulsão.

A empresa também trabalhou para entender e corrigir os vazamentos de hélio detectados durante a missão.

No início de 2026, a NASA chegou a considerar um retorno da Starliner em abril. O cronograma acabou sendo novamente adiado.

Em julho, executivos da Boeing afirmaram que grande parte dos trabalhos necessários para solucionar os problemas técnicos já havia sido concluída.

Agora, a missão prevista para dezembro deverá mostrar se essas modificações funcionam em condições reais.

NASA está ficando sem alternativas

Existe outro fator pressionando o programa: o futuro da Crew Dragon.

A cápsula da SpaceX se tornou essencial para os Estados Unidos depois do fim do programa dos ônibus espaciais e atualmente é o único veículo americano operacional utilizado pela NASA para transportar seus astronautas até a órbita baixa.

Mas a SpaceX está direcionando cada vez mais recursos para a Starship.

A empresa interrompeu a produção de novas cápsulas Crew Dragon e pretende eventualmente aposentar a plataforma.

Segundo Isaacman, não é segredo que a SpaceX pretende abandonar gradualmente tecnologias como Falcon e Dragon à medida que concentra seus esforços em sua próxima geração de veículos espaciais.

Para a NASA, isso torna a recuperação da Starliner ainda mais importante.

NASA ainda gastará quase US$ 1 bilhão com novos voos da SpaceX

A agência também tomou medidas para garantir transporte durante essa transição.

A NASA concedeu à SpaceX um contrato de US$ 946 milhões para realizar mais três missões tripuladas para a Estação Espacial Internacional utilizando a Crew Dragon até 2030.

Isso oferece uma margem de segurança.

Mas depender de apenas uma empresa sempre foi justamente o cenário que o programa Commercial Crew da NASA tentou evitar.

A estratégia original era contar com pelo menos dois sistemas americanos independentes capazes de transportar astronautas.

SpaceX cumpriu essa promessa com a Crew Dragon. A Boeing ainda tenta fazer o mesmo com a Starliner.

NASA reconheceu que a pressão por uma segunda cápsula influenciou decisões

A missão problemática de 2024 também provocou uma investigação mais ampla.

A NASA classificou o voo da Starliner como um incidente de categoria Type A, reservado para ocorrências de maior gravidade dentro dos critérios da agência.

A análise apontou que o objetivo institucional de manter mais de um sistema disponível para transportar astronautas influenciou decisões técnicas e operacionais tomadas durante a missão.

Isso aumenta ainda mais a importância do próximo teste.

A agência precisa colocar uma segunda cápsula em operação, mas não pode permitir que essa necessidade comprometa seus critérios de segurança.

O próximo voo será decisivo para o futuro da Starliner

A missão de dezembro terá objetivos específicos para verificar as modificações realizadas na cápsula.

Entre os principais pontos está novamente o sistema de propulsão.

Dana Weigel, responsável pelo programa de órbita baixa da NASA, afirmou que a agência realizará testes direcionados e utilizará controles operacionais rigorosos para avaliar o comportamento da nave.

A missão também deverá fornecer informações importantes sobre o desempenho térmico da Starliner, considerado fundamental para sua certificação.

Somente depois desses resultados a NASA decidirá se astronautas poderão voltar a embarcar na cápsula.

Se tudo correr conforme o planejado, isso poderá acontecer em meados de 2028.

Depois de anos de atrasos, vazamentos, falhas nos propulsores e uma missão tripulada que terminou sem seus astronautas a bordo, a Starliner terá mais uma oportunidade.

Desta vez, porém, há algo diferente: com o futuro da Crew Dragon já entrando no horizonte, a NASA precisa mais do que nunca que a aposta bilionária na Boeing finalmente funcione.

 

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