O task masking é uma prática que tem ganhado popularidade entre a Geração Z, especialmente por meio de redes sociais como o TikTok. O termo, traduzido como “mascaramento de tarefas”, refere-se à estratégia de aparentar produtividade sem necessariamente estar desempenhando atividades reais.
🔎 Task Masking: Técnica que cria a ilusão de multitarefa, sem que haja produtividade efetiva.
🔎 Geração Z: Pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2012, conhecidas por crescerem em um ambiente digital e altamente conectado.
Como funciona o ‘task masking’?
Nas redes sociais, trabalhadores compartilham diferentes formas de aplicar essa técnica, incluindo:
- Passar rapidamente por planilhas no computador;
- Andar apressadamente pelos corredores;
- Falar ao telefone demonstrando estresse;
- Fingir estar procurando algo no escritório;
- Caminhar pelo ambiente de trabalho folheando papéis.
Especialistas alertam que essa prática pode ter impactos negativos tanto para os colaboradores quanto para as empresas. O neuropsicólogo Wanderson Neves afirma que o task masking permite que funcionários reduzam suas cargas de trabalho enquanto mantêm a aparência de produtividade, o que pode gerar consequências no ambiente corporativo.
Impacto no ambiente de trabalho
Segundo Neves, essa prática é mais comum entre profissionais da Geração Z como uma forma de tentar migrar para o home office ou reduzir a jornada de trabalho sem comprometer a imagem profissional.
“Quanto mais flexível for o ambiente de trabalho, melhor para essa geração, pois eles buscam equilíbrio entre carreira e vida pessoal. Muitos tentam parecer ocupados para justificar um horário de trabalho mais leve”, explica o especialista.
Entretanto, essa estratégia pode prejudicar a saúde mental, tanto dos praticantes quanto de seus colegas. “Os funcionários que utilizam o task masking podem acabar sobrecarregando seus colegas, resultando em desgaste emocional e físico. Além disso, o medo de serem descobertos pode levar ao desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão e até mesmo Burnout”, alerta Neves.
🔎 Burnout: Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, caracteriza-se pela exaustão física, emocional e mental causada por estresse prolongado no trabalho.
O psicólogo e treinador comportamental Leandro Cunha aponta que as empresas precisam adaptar suas práticas e ferramentas tecnológicas para lidar com as novas demandas da Geração Z.
“A Geração Z tem uma cultura diferente, voltada para a tecnologia e a rapidez. Alguns adotam o task masking por sentirem sobrecarga, outros por simplesmente não quererem assumir mais responsabilidades”, explica Cunha.
Questões legais e direitos trabalhistas
A advogada trabalhista Elisa Alonso explica que o task masking pode ter diferentes interpretações legais, dependendo do contexto. Caso seja comprovado que o funcionário está negligenciando suas funções deliberadamente, ele pode ser penalizado. No entanto, se as metas impostas pela empresa forem excessivas e inalcançáveis, a responsabilidade pode recair sobre o empregador.
“É difícil medir a razoabilidade das metas, mas a empresa precisa ter bom senso ao estabelecê-las. Se forem abusivas, podem ser questionadas judicialmente”, alerta Alonso.
Nos casos levados à Justiça do Trabalho, os tribunais analisam se houve falha do empregador ou má-fé do empregado. Caso fique comprovada a intenção deliberada de simular produtividade, o funcionário pode ser demitido por justa causa.
🔎 Desídia: Falta grave no ambiente de trabalho, caracterizada por negligência, descuido e falta de comprometimento. Pode ser motivo para demissão por justa causa.
Caso um funcionário seja demitido por justa causa devido ao task masking, ele pode recorrer à Justiça para tentar reverter a decisão. No entanto, se for comprovado que ele descumpriu suas obrigações de forma intencional, as chances de reversão são reduzidas.
Conclusão
O task masking reflete mudanças nas relações de trabalho e na cultura corporativa da nova geração. Embora algumas práticas possam ser vistas como tentativas de equilibrar vida pessoal e profissional, é fundamental que empresas e funcionários busquem um ambiente de trabalho saudável e produtivo, evitando desgastes e possíveis sanções legais.
Fonte: g1 Globo