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Ciência

Telescópio James Webb revela fenômeno extremo: dois planetas em processo de desintegração

Pela primeira vez, astrônomos observaram exoplanetas expelindo suas camadas externas para o espaço, oferecendo uma visão sem precedentes da composição interna desses astros distantes. A descoberta, possibilitada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) e pelo Satélite de Sondeo de Exoplanetas em Trânsito (TESS), marca um avanço significativo na compreensão da evolução planetária.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Exoplanetas em evaporação: uma descoberta inédita

Os astrônomos identificaram dois planetas em processo de desintegração devido à extrema proximidade com suas estrelas. O primeiro, K2-22b, é um planeta rochoso do tamanho de Netuno, com um período orbital de apenas nove horas. As temperaturas na superfície atingem impressionantes 1826°C, altas o suficiente para derreter e vaporizar a rocha.

De acordo com o estudo publicado, K2-22b libera periodicamente nuvens de poeira em um processo caótico, resultando em trânsitos variáveis. Os materiais vaporizados da superfície formam uma cauda similar à de um cometa, permitindo que os cientistas analisem sua composição interna.

O segundo planeta identificado, BD+054868Ab, é o mais próximo da Terra a exibir esse fenômeno. Ele apresenta duas caudas gigantes, que juntas se estendem por mais de nove milhões de quilômetros. Uma dessas caudas contém partículas do tamanho de grãos de areia, enquanto a outra é composta por partículas menores, semelhantes a fuligem.

O que a desintegração desses planetas revela sobre sua formação

Os dados coletados pelo JWST e pelo TESS permitiram aos cientistas reconstruir a história e a composição desses planetas antes de começarem a se desintegrar. Uma das descobertas mais surpreendentes veio da análise atmosférica de K2-22b, onde foram detectados dióxido de carbono e óxido nítrico – compostos geralmente associados a corpos gelados.

Isso sugere que o planeta pode ter se formado em uma região mais fria antes de migrar para perto de sua estrela. Essa hipótese reforça as teorias sobre a migração planetária, um processo no qual planetas gigantes e rochosos se deslocam de suas órbitas originais ao longo do tempo devido a interações gravitacionais.

Já no caso de BD+054868Ab, os dados indicam que ele está perdendo material a um ritmo acelerado, equivalente a uma lua a cada milhão de anos. Dentro de um ou dois milhões de anos, ele pode desaparecer completamente.

Um novo olhar sobre a evolução planetária

Os astrônomos há muito teorizam sobre os processos que moldam os sistemas planetários, e a observação direta desses exoplanetas fornece evidências concretas desses fenômenos. O estudo desses mundos extremos não apenas amplia o conhecimento sobre os exoplanetas, mas também pode oferecer pistas valiosas sobre a formação dos planetas do Sistema Solar.

Esses exoplanetas em evaporação representam uma janela para processos que, possivelmente, ocorreram em nosso próprio sistema estelar no passado. Compreender como esses planetas perdem suas camadas externas pode ajudar a aprimorar as técnicas de detecção de outros mundos e a refinar os modelos sobre a evolução dos sistemas planetários.

O impacto do Telescópio Espacial James Webb

A tecnologia avançada do JWST foi fundamental para essa descoberta, permitindo que os astrônomos captassem detalhes nunca antes observados. A capacidade de detectar assinaturas espectrais precisas abre caminho para investigações mais aprofundadas sobre a composição química e dinâmica desses planetas em desintegração.

Os cientistas planejam continuar monitorando esses exoplanetas para entender melhor sua evolução e registrar suas últimas fases antes de desaparecerem completamente. Esses estudos demonstram a importância de telescópios espaciais de última geração na exploração do universo e ampliam nossa compreensão sobre os processos que moldam o cosmos.

À medida que a tecnologia avança, novas descobertas podem revelar ainda mais sobre a diversidade e complexidade dos mundos extraterrestres, oferecendo insights valiosos para a busca de vida e para o entendimento da evolução dos planetas.

 

Fonte: Infobae

 

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