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Tipo sanguíneo encontrado em só três pessoas intriga cientistas

Imagine analisar mais de meio milhão de amostras de sangue e descobrir algo que ninguém jamais tinha visto. Foi exatamente o que aconteceu na Tailândia, onde cientistas identificaram um tipo sanguíneo tão raro que, até agora, só apareceu em três pessoas no mundo. E essa nova variante pode mudar protocolos de transfusão que pareciam sólidos há mais de um século.

A descoberta que saiu de 544 mil amostras

O achado foi descrito na revista Transfusion and Apheresis Science e revelou um fenótipo inédito dentro do famoso sistema ABO — aquele que define se alguém é tipo A, B, AB ou O. A nova variante, chamada B(A), funciona como um híbrido entre os antígenos A e B.

O estudo analisou 544 mil amostras ao longo de oito anos no Hospital Siriraj, o maior centro médico da Tailândia. Entre 285 mil doadores e 258 mil pacientes, três pessoas apresentaram resultados inesperados, que simplesmente não se encaixavam em nenhuma classificação conhecida.

Testes mais detalhados, incluindo sequenciamento genético e análises bioquímicas, confirmaram: tratava-se de algo completamente novo.

Como funciona esse tipo sanguíneo híbrido

Tipo sanguíneo encontrado em só três pessoas intriga cientistas
© Pexels

Os pesquisadores explicam que mutações específicas no gene ABO alteram a enzima que normalmente produz o antígeno B. Com essas mudanças estruturais, a enzima passa a gerar pequenas quantidades — mínimas, mas detectáveis — do antígeno A.

Ou seja, o sangue parece ser do tipo B, mas traz traços discretos do tipo A, criando uma espécie de “pegadinha” para exames tradicionais.

Essa discrepância, quando passa despercebida, pode ser perigosa. Em transfusões, pequenas incompatibilidades podem provocar reações graves, e pessoas com variantes raras geralmente recebem diagnósticos imprecisos porque os testes não foram desenhados para detectar esse tipo de híbrido.

O alerta para transfusões e testes de compatibilidade

A equipe destaca que bancos de sangue precisam investigar qualquer inconsistência no sistema ABO antes de rotular uma unidade e prosseguir com a transfusão. Nas palavras dos autores, este é “o primeiro registro em larga escala de discrepâncias do sistema ABO no Sudeste Asiático”.

Embora o novo tipo sanguíneo B(A) não represente risco direto à saúde do portador, ele acende um alerta importante: pessoas com variantes raras podem reagir de forma inesperada a transfusões consideradas compatíveis pelos testes convencionais. Por isso, o estudo reforça a urgência de ampliar métodos moleculares e tecnologias mais sensíveis na rotina dos laboratórios.

O corpo humano ainda guarda segredos

Para a comunidade científica, a descoberta abre espaço para novas pesquisas sobre a evolução dos sistemas sanguíneos humanos e sobre a enorme diversidade genética ainda pouco explorada. Para os bancos de sangue, é um aviso claro: mais de 100 anos após o surgimento da classificação A, B, AB e O, o corpo humano continua surpreendendo — e lembrando que a ciência ainda não viu tudo.

A pergunta agora é qual será a próxima surpresa escondida em uma simples gota de sangue.

[Fonte: Correio Braziliense]

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