Na tarde da última quinta-feira, um avião da Air India caiu poucos segundos após decolar de Ahmedabad, com destino ao aeroporto de Gatwick, no Reino Unido. Com 279 vítimas fatais, o desastre aéreo do voo AI171 já é considerado o mais letal da aviação indiana em décadas. Os dados iniciais das caixas-pretas revelam uma sucessão de falhas que pode ter selado o destino da aeronave.
O que aconteceu nos segundos após a decolagem
O Boeing 787 Dreamliner decolou às 13h38, com 241 pessoas a bordo. Pouco depois, atingiu uma altitude de apenas 190 metros antes de começar a perder altura de forma brusca. O avião colidiu com um edifício próximo ao Hospital Civil da cidade, onde estavam médicos residentes. O impacto resultou em dezenas de mortes adicionais entre civis no solo.
Entre os passageiros estavam cidadãos indianos, britânicos, portugueses e um canadense. Os pilotos chegaram a emitir um pedido de emergência antes do acidente, mas não houve tempo para manobras corretivas. As caixas-pretas, agora em posse das autoridades indianas, do Reino Unido e dos Estados Unidos, são fundamentais para esclarecer a sequência exata dos eventos.
Primeiras descobertas das caixas-pretas

Segundo o especialista em aviação Amit Singh, as informações do gravador de voz da cabine (CVR) e do gravador de dados de voo (FDR) são cruciais para reconstruir o momento do acidente. O CVR registra conversas dos pilotos, alarmes e alertas de emergência, enquanto o FDR armazena dados técnicos como pressão, velocidade e estado dos motores.
O ministro da Aviação, Ram Mohan Naidu Kinjarapu, afirmou que espera obter “uma visão profunda” a partir da análise inicial dos dados do voo. Ainda não há conclusões oficiais, mas as evidências apontam para um cenário de múltiplas falhas técnicas associadas a um possível excesso de peso.
Possível sobrecarga e falha dupla de motor
Fontes oficiais indicam que, além dos passageiros, a aeronave transportava grande quantidade de bagagem e carga. Especialistas avaliam se o peso excedia os limites operacionais do modelo, o que pode ter comprometido a capacidade de subida e a eficiência dos motores nos primeiros segundos de voo — uma das fases mais críticas para qualquer aeronave.
Além disso, imagens de alta definição analisadas por especialistas mostram o avião “flutuando” brevemente antes da queda, o que pode indicar uma perda súbita de potência em ambos os motores. Segundo o analista Steve Schreiber, esse comportamento é típico de falha dupla de propulsão.
Emergência crítica: o acionamento da turbina RAT
Outro indicativo importante foi a ativação da Ram Air Turbine (RAT), uma turbina de emergência que só entra em funcionamento em três situações graves: falha elétrica total, falha hidráulica ou falha simultânea dos dois motores. Sua aparição no vídeo reforça a teoria de uma pane catastrófica.
Schreiber considera que essas imagens “mudam completamente” o diagnóstico da causa do acidente. A hipótese de que aves ou rajadas de vento tenham provocado uma falha repentina nos motores também está sendo investigada.
Avanço das investigações e medidas preventivas

As autoridades seguem um protocolo internacional padronizado pela ONU para investigação de acidentes aéreos. Como a aeronave ficou severamente carbonizada, o processo deve ser longo. Além dos dados técnicos, imagens de segurança e testemunhos de moradores próximos também serão analisados.
O histórico da aeronave, com 12 anos de operação, será avaliado detalhadamente, incluindo manutenções recentes e eventuais reparos estruturais. Enquanto isso, o governo indiano ordenou a inspeção completa de todos os 33 Boeing 787 Dreamliner da frota da Air India.
Um comitê de alto nível foi criado para revisar os procedimentos de emergência e garantir que falhas semelhantes não se repitam. Um relatório preliminar deve ser apresentado dentro de três meses.
Um marco sombrio na história da aviação
Apesar de ser o primeiro acidente fatal com um Dreamliner em 16 anos de operação global, a tragédia do voo AI171 levanta preocupações sobre segurança operacional e manutenção de aeronaves de grande porte. Enquanto o mundo acompanha o avanço das investigações, as famílias das vítimas aguardam respostas — e justiça — para um desastre que marcou profundamente a história da aviação moderna.
[ Fonte: Infobae ]