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Mundo

OMS diz que crise do hantavírus ainda não acabou após surto em cruzeiro internacional

Apesar de afirmar que não há sinais de uma pandemia em andamento, a Organização Mundial da Saúde mantém o alerta máximo sobre o surto de hantavírus ligado ao navio MV Hondius. Passageiros já foram repatriados para vários países, enquanto autoridades monitoram possíveis novos casos durante as próximas semanas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O surto de hantavírus que colocou um cruzeiro internacional no centro das atenções globais continua preocupando autoridades sanitárias. Embora a Organização Mundial da Saúde afirme que não existem indícios de um grande surto mundial neste momento, especialistas alertam que a situação ainda exige vigilância constante.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta semana que “o trabalho não terminou” e destacou que novos casos ainda podem surgir devido ao longo período de incubação do vírus.

As declarações foram feitas em Madri, durante uma coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, um dia após a conclusão da operação de repatriação dos ocupantes do navio MV Hondius.

O que aconteceu no cruzeiro MV Hondius

Crucero Hantavirus
© AFP via Getty

O MV Hondius ganhou notoriedade internacional após registrar casos de hantavírus entre passageiros e tripulantes durante uma viagem que partiu de Ushuaia, na Argentina, em direção ao arquipélago de Cabo Verde.

O episódio se tornou ainda mais alarmante depois da confirmação da morte de três passageiros relacionados ao surto.

Mais de 120 pessoas de cerca de 20 nacionalidades diferentes foram desembarcadas e repatriadas a partir da ilha espanhola de Tenerife. Países como Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Suíça, Estados Unidos e Países Baixos já confirmaram casos ligados ao navio.

O cruzeiro segue rumo aos Países Baixos, onde deve chegar nos próximos dias.

OMS mantém cautela e recomenda monitoramento por 42 dias

Apesar de considerar o risco global baixo, a OMS insiste que os países devem seguir protocolos rígidos de acompanhamento das pessoas expostas ao vírus.

Segundo Tedros, a recomendação oficial é que passageiros e tripulantes sejam monitorados ativamente durante 42 dias após a última exposição considerada de risco — definida como 10 de maio.

Isso significa que autoridades de saúde devem acompanhar possíveis sintomas até pelo menos 21 de junho.

O diretor da OMS destacou que o hantavírus possui um período de incubação relativamente longo, o que pode atrasar o aparecimento de novos casos.

“Não há indícios de que estejamos diante do início de um surto maior. Mas a situação pode mudar”, afirmou.

O hantavírus continua sendo raro — mas preocupa especialistas

Surto suspeito de hantavírus em cruzeiro deixa três mortos no Atlântico
© https://x.com/AlertaMundoNews/

O hantavírus é uma doença infecciosa considerada rara, normalmente associada ao contato com roedores infectados ou com partículas contaminadas presentes em urina, fezes e saliva desses animais.

Em alguns casos, a doença pode evoluir rapidamente para uma síndrome pulmonar grave, com alta taxa de mortalidade.

Ainda não existe vacina aprovada contra o hantavírus, e os tratamentos disponíveis são principalmente de suporte clínico.

O que torna o caso do MV Hondius especialmente sensível é a suspeita de possíveis episódios de transmissão entre humanos — algo incomum e que continua sendo investigado por especialistas.

Tenerife virou centro da operação internacional

A chegada do navio à ilha de Tenerife gerou preocupação entre moradores e autoridades locais. Tedros reconheceu que a população tinha motivos para sentir apreensão, mas insistiu que o risco para a comunidade permanece baixo.

Segundo ele, as autoridades espanholas seguiram protocolos sanitários rigorosos durante toda a operação de desembarque e repatriação.

Pedro Sánchez elogiou a atuação da Espanha no episódio e afirmou que o país optou por agir com solidariedade em vez de evitar responsabilidades.

O premiê também respondeu às críticas de setores que questionaram por que o cruzeiro não foi direcionado para outro país mais próximo da costa africana.

Para Sánchez, a questão correta não era “por que ajudar”, mas sim “por que não ajudar” diante de uma emergência sanitária internacional.

Europa discute reforço dos protocolos sanitários

O surto também reacendeu discussões dentro da União Europeia sobre coordenação sanitária em situações de emergência.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, pediu uma cooperação mais estreita entre os países europeus para enfrentar ameaças como o hantavírus.

Ele anunciou o reforço da colaboração com países vizinhos e defendeu protocolos mais integrados para futuras crises sanitárias.

Enquanto isso, especialistas seguem monitorando passageiros e tripulantes do MV Hondius em diferentes partes do mundo. E, embora a OMS tente evitar alarmismo, a mensagem das autoridades continua clara: o episódio ainda não pode ser considerado encerrado.

 

[ Fonte: DW ]

 

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