O nascimento do G2E
Em agosto de 2025 foi oficializada a criação do GCAP Electronics Evolution (G2E), formado por Mitsubishi Electric, Leonardo UK, Leonardo Itália e ELT Group. A proposta já havia sido apresentada em 2023 na feira DSEI Japão, mas só agora se consolidou. Sua missão é desenvolver o sistema ISANKE & ICS, que integra sensores, comunicações e efeitos não cinéticos, transformando o caça em uma verdadeira plataforma de guerra eletrônica.
Inteligência em rede como arma decisiva
O ISANKE & ICS vai além de detectar ou transmitir sinais. Ele promete fundir grandes volumes de dados em tempo real, processando informações em cenários altamente complexos, onde cada segundo pode definir a vitória ou a derrota. Diferente das gerações anteriores, em que o destaque era velocidade ou armamento, aqui a vantagem será a supremacia informacional, capaz de neutralizar adversários antes mesmo de disparar um míssil.
Um cronograma implacável
O consórcio G2E atua sob a coordenação da Edgewing, empresa conjunta de BAE Systems, Leonardo e Japan Aircraft Industrial Enhancement Co., responsável pela supervisão global do GCAP. O cronograma é rígido: o primeiro voo de protótipo está previsto para 2027, com entrada em serviço operacional em 2035. O objetivo é que a aeronave se mantenha relevante até depois de 2070, garantindo décadas de vantagem estratégica.

O protótipo ganha forma
Enquanto engenheiros trabalham nos algoritmos do sistema, nos hangares britânicos o fuselagem do protótipo já está montada em dois terços de seu peso total. O design inclui duas caudas inclinadas, dois motores e uma asa delta recortada, lembrando o Eurofighter Typhoon, mas com ambições muito mais ousadas. Ainda sem nome oficial — embora “Tempest” seja o favorito — o modelo deve se tornar um laboratório voador que dará vida à próxima geração da aviação de combate.
Mais que uma arma: uma aliança estratégica
O GCAP simboliza mais do que avanços tecnológicos. Representa a cooperação trilateral entre Japão, Itália e Reino Unido, que buscam autonomia frente às incertezas do cenário internacional. Com o G2E fornecendo a inteligência e os sentidos da aeronave, o futuro caça de sexta geração se apresenta não apenas como um instrumento militar, mas como um símbolo de colaboração industrial e estratégica rumo a um céu compartilhado.