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Trilhas perigosas na Indonésia: o alerta que a morte de brasileira reforça após anos de acidentes no Monte Rinjani

Nos últimos cinco anos, o Parque Nacional do Monte Rinjani registrou 180 acidentes e 8 mortes — números alarmantes que voltaram aos holofotes com a trágica queda da brasileira Juliana Marins. A falta de protocolos de resgate, o despreparo de turistas e a alta visitação expõem um risco crescente para aventureiros.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A morte de Juliana Marins, brasileira que despencou de um penhasco durante trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, reacendeu o alerta sobre os riscos associados ao turismo de aventura na região. Em meio a paisagens deslumbrantes, os números oficiais mostram um histórico preocupante de acidentes e mortes no local. A tragédia levanta questionamentos sobre segurança, fiscalização e os limites do turismo em áreas de alta complexidade natural.

 

Um histórico de riscos ignorados

De acordo com dados divulgados pelo governo da Indonésia em março, o Parque Nacional do Monte Rinjani contabilizou 180 acidentes e 8 mortes entre 2020 e 2024. O número de ocorrências aumentou significativamente: apenas em 2024, já foram 60 acidentes registrados — quase o dobro do ano anterior.

Esses dados colocam o Monte Rinjani como um dos pontos turísticos mais perigosos da região, com quedas, torções e desaparecimentos liderando as estatísticas. Do total de vítimas, 44 eram turistas estrangeiros e 136, indonésios.

 

A tragédia de Juliana e a falta de protocolos

Juliana Marins, de 26 anos, fazia um mochilão pela Ásia quando decidiu encarar a desafiadora trilha até o cume do Monte Rinjani. Após se distanciar do grupo por cansaço, ela caiu de um penhasco de aproximadamente 650 metros. Seu corpo foi localizado apenas quatro dias depois, após dificuldades enfrentadas pelas equipes de resgate.

O caso evidenciou falhas graves no sistema de resgate e no acompanhamento de turistas na trilha. Segundo a família, a jovem foi deixada sozinha pelos guias por tempo suficiente para se perder e despencar da encosta. Um relatório do governo indonésio já havia recomendado, meses antes, a criação urgente de um Procedimento Operacional Padrão (POP) para situações de busca, resgate e evacuação — algo que ainda não havia sido implementado até então.

 

A popularidade que agrava os riscos

Desde o fim da pandemia, o número de visitantes ao parque nacional tem aumentado de forma expressiva. Com isso, os impactos sobre o ecossistema local e a sobrecarga das trilhas também cresceram. Embora o turismo traga benefícios econômicos, ele também amplia os riscos, principalmente quando não há estrutura adequada de segurança e informação.

O governo aponta que muitos acidentes decorrem do descumprimento de normas básicas por parte dos turistas: ausência de equipamentos adequados, falta de preparo físico, desconhecimento da trilha e até o uso de rotas alternativas não autorizadas.

Para tentar mitigar os riscos, o parque tem instalado sinalizações em pontos críticos e reforçado a orientação nos acessos às trilhas. No entanto, diante da complexidade do terreno, especialistas afirmam que isso é insuficiente sem a presença de guias qualificados e estratégias claras de evacuação.

 

Casos que se repetem — e poderiam ser evitados

Juliana Marins, De 26 Anos, Caiu Durante Uma Trilha No Monte Rinjani
© @ X-astronomiaum

Entre 2022 e 2024, outras três mortes foram registradas na região. Em 2022, Boaz Bar Anam, israelense com cidadania portuguesa, caiu de 150 metros ao tentar tirar uma selfie na borda do cume. Seu corpo só foi resgatado quatro dias depois, em condições climáticas adversas.

Já em junho de 2024, a suíça Melanie Bohner caiu em um barranco enquanto fazia uma escalada sozinha por uma trilha não oficial no Monte Anak Dara. Ela foi encontrada morta horas depois. E um turista malaio de 57 anos caiu de uma ravina de 80 metros na trilha de Torean após se soltar de uma corda de segurança em meio à neblina.

Em todos os casos, o padrão se repete: trilhas perigosas, má utilização de equipamentos, negligência com orientações e, muitas vezes, decisões tomadas sem apoio técnico.

 

Um chamado por mudanças urgentes

A morte de Juliana escancara uma realidade que já era conhecida pelas autoridades locais: o turismo de aventura no Monte Rinjani precisa de regulamentação urgente. É necessário garantir que visitantes estejam acompanhados por profissionais capacitados, que trilhas sejam monitoradas em tempo real e que as equipes de resgate disponham dos recursos necessários para agir com rapidez.

O Monte Rinjani continuará atraindo aventureiros de todo o mundo — mas, se medidas concretas não forem adotadas, outras tragédias poderão se repetir.

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

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