Nos últimos 12 meses, o Brasil registrou um recorde histórico no número de trabalhadores que mudaram voluntariamente de emprego com carteira assinada. A análise, realizada pela LCA Consultores com dados do Caged, mostra que algumas regiões do país puxam esse movimento — refletindo dinâmicas econômicas e oportunidades muito distintas entre os estados.
Sul lidera as trocas com Santa Catarina à frente
A Região Sul aparece no topo do ranking, com 45% dos trabalhadores formais mudando de emprego por decisão própria. O destaque absoluto é Santa Catarina, com um índice de quase 50%, ou seja, metade da força de trabalho formal trocou de emprego em apenas um ano.
Na sequência vêm Paraná, com cerca de 45%, e Rio Grande do Sul, próximo de 40%. Segundo o economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, essa movimentação está relacionada à estabilidade econômica e dinamismo da região, que oferece muitas alternativas profissionais.
Centro-Oeste surpreende com força do agronegócio
O Centro-Oeste superou expectativas e ficou em segundo lugar no ranking, com 40% de troca voluntária. O Mato Grosso do Sul lidera na região, com quase 45%, seguido por Mato Grosso, com cerca de 40%.
De acordo com Imaizumi, esse crescimento está diretamente ligado ao avanço do agronegócio e do setor de serviços, que têm proporcionado novas oportunidades e atraído profissionais em busca de melhores condições.
Sudeste apresenta médias equilibradas
No Sudeste, os números são um pouco mais moderados. São Paulo e Espírito Santo lideram a região com índices pouco acima de 35%. Já o Rio de Janeiro apresenta uma taxa inferior, pouco acima dos 30%, refletindo uma perda de dinamismo no mercado formal fluminense nos últimos anos.
Rondônia se destaca no Norte; Nordeste segue com menor mobilidade
No Norte, Rondônia se destaca, com quase 40% dos trabalhadores formais mudando de emprego. O avanço do agronegócio e seu impacto em outros setores explicam o salto.
Já o Nordeste é a região com menor rotatividade voluntária, com a maioria dos estados na faixa dos 25%. O Ceará é a exceção, chegando a 30%. Essa realidade, segundo Imaizumi, reflete o número ainda restrito de oportunidades formais na região.
A tendência de troca de empregos mostra como o mercado de trabalho está se transformando e revela onde estão as oportunidades — e a disposição dos trabalhadores para buscar melhores condições.
Fonte: Metrópoles