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Trump assina decreto para eliminar cidadania por nascimento e causa polêmica nos EUA

Donald Trump assinou uma ordem executiva para acabar com a cidadania por nascimento, gerando forte reação de juristas e políticos. A medida, que visa restringir direitos garantidos pela Constituição, promete ser rapidamente contestada na justiça.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou seu segundo mandato com ações que desafiam pilares constitucionais e prometem marcar sua agenda de governo. Entre elas, destaca-se a ordem executiva que busca reinterpretar a 14ª Emenda e acabar com a cidadania para filhos de imigrantes em situação irregular nascidos no país.

O que diz o decreto e seus impactos imediatos

A medida, prevista para entrar em vigor em 30 dias, orienta agências governamentais a não emitirem documentação de cidadania para bebês nascidos nos EUA cujos pais não tenham status regular no país. Isso inclui a recusa de passaportes pelo Departamento de Estado e o não reconhecimento desses bebês pela Previdência Social.

Embora Trump já tivesse ameaçado implementar tal medida em seu primeiro mandato, especialistas em direito constitucional afirmam que a decisão é ilegal. A 14ª Emenda, aprovada em 1868, garante cidadania a todos os nascidos no território americano, independentemente do status migratório de seus pais.

Grupos conservadores, no entanto, defendem a decisão, acusando imigrantes de cruzarem a fronteira exclusivamente para garantir cidadania aos seus filhos.

Repercussões legais e políticas

Juristas e legisladores de oposição já se preparam para contestar a ordem nos tribunais. Para muitos, a decisão de Trump não apenas viola a Constituição, mas também coloca milhões de crianças em situação de incerteza legal.

Dados do Pew Research Center indicam que, em 2022, cerca de 4,4 milhões de crianças nascidas nos EUA viviam com pelo menos um dos pais em situação irregular. A medida, portanto, pode impactar diretamente milhões de famílias.

Além disso, Trump anunciou outras ações relacionadas à imigração, incluindo o uso da Lei do Inimigo Estrangeiro, de 1798, para justificar deportações em massa e ações contra imigrantes considerados “ameaças ao país”.

Contexto histórico e reação pública

A última vez que a Lei do Inimigo Estrangeiro foi invocada ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando nipo-americanos foram confinados em campos de prisioneiros. A decisão de Trump de trazer essa legislação de volta levantou comparações com momentos sombrios da história dos EUA.

A ordem executiva é vista por críticos como parte de uma estratégia para consolidar apoio entre eleitores mais conservadores. Contudo, a medida enfrenta resistência de ativistas, legisladores democratas e organizações de direitos humanos.

Uma crise constitucional à vista?

A decisão de acabar com a cidadania por nascimento representa um dos maiores desafios jurídicos do governo Trump. Enquanto seus aliados celebram a ação como uma vitória contra a imigração irregular, opositores veem a medida como um ataque direto aos direitos fundamentais e à diversidade que molda os EUA.

Com ações já previstas nos tribunais, o desfecho dessa medida promete ser um dos maiores embates legais do governo Trump e pode definir o futuro do conceito de cidadania nos Estados Unidos.

Fonte: O Globo

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