A Uefa se manifestou nesta quarta-feira (18) sobre a denúncia de racismo feita por Vinicius Júnior durante partida da Champions League. O atacante do Real Madrid relatou ter sido alvo de ofensas por parte de um jogador do Benfica no Estádio da Luz, em Lisboa. O episódio ocorreu no jogo de ida dos playoffs da competição e provocou a interrupção da partida.
O que disse a Uefa
Em comunicado oficial, a entidade que organiza a Champions League informou que os relatórios do jogo ainda estão sendo analisados. Segundo a Uefa, caso os documentos apontem qualquer irregularidade, uma investigação formal será aberta.
“Os relatórios oficiais dos jogos disputados ontem à noite estão, neste momento, a serem analisados. Caso seja reportado algo, serão abertas as respectivas investigações e, se houver sanções disciplinares, estas serão anunciadas no site da Uefa”, declarou a instituição.
Até o momento, não houve confirmação de abertura de processo disciplinar.
Como ocorreu o episódio
Jogo suspenso na Luz!
As provocações de Vini Jr aos adeptos do Benfica, a acusação de racismo a Prestianni e a tentativa de Mourinho para acalmar o brasileiro. pic.twitter.com/okGljQyIJR
— ZEROZERO (@zerozeropt) February 17, 2026
A denúncia aconteceu logo após Vinicius Júnior marcar um golaço aos cinco minutos do segundo tempo. Depois da comemoração, o camisa 7 se dirigiu ao árbitro para relatar algo que teria sido dito por Gianluca Prestianni, meio-campista do Benfica.
O árbitro interrompeu a partida para acionar o chamado Protocolo Antirracismo — mecanismo previsto pela Uefa para lidar com casos de discriminação em campo. O jogo ficou paralisado por cerca de oito minutos. Durante a pausa, houve discussão entre jogadores das duas equipes.
O clima ficou tenso. Em determinado momento, Vinicius precisou ser contido para evitar que o confronto verbal escalasse ainda mais.
O desabafo de Vini Jr.

Após a partida, o atacante brasileiro usou as redes sociais para se manifestar. Em publicação nos stories do Instagram, criticou a ausência de punição imediata e questionou a condução do protocolo.
“Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas eles têm, ao lado, proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir”, escreveu.
Vinicius também destacou que recebeu cartão amarelo por comemorar o gol e afirmou que o protocolo foi mal executado. Segundo ele, o episódio não é novidade em sua trajetória profissional.
Nos últimos anos, o jogador tem sido um dos atletas mais vocais no combate ao racismo no futebol europeu, especialmente na Espanha, onde já denunciou diversos episódios durante jogos do Campeonato Espanhol.
A versão de Prestianni e o apoio do Benfica
Gianluca Prestianni negou as acusações. Também por meio das redes sociais, afirmou que suas palavras teriam sido mal interpretadas.
“Em nenhum momento dirigi insultos racistas ao Vinicius Júnior. Jamais fui racista”, escreveu o argentino, acrescentando que passou a receber ameaças após a repercussão do caso.
O Benfica manifestou apoio ao atleta com uma mensagem pública: “Juntos, ao teu lado”.
O que pode acontecer agora
Se a Uefa entender que há indícios suficientes nos relatórios da arbitragem ou em eventuais registros complementares — como imagens e depoimentos — poderá instaurar processo disciplinar. As punições previstas no regulamento incluem multas, suspensões e até sanções mais severas em casos comprovados.
O caso reforça um debate recorrente no futebol europeu: a efetividade dos protocolos antirracismo e a dificuldade de comprovação de ofensas verbais em campo.
Enquanto isso, a decisão da Uefa será aguardada não apenas por Real Madrid e Benfica, mas por todo o ambiente do futebol internacional — que segue sob pressão para avançar no combate à discriminação dentro e fora dos estádios.
[ Fonte: Itatiaia ]