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Ciência

Um drone encontrou microplásticos a 100 metros de altura e abriu uma nova forma de rastrear a poluição

Método testado nos Estados Unidos permite coletar partículas no ar e pode levar o monitoramento a oceanos e regiões remotas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Microplásticos também viajam pelo ar, mas acompanhar esse percurso continua sendo um desafio. Agora, pesquisadores testaram uma ferramenta para investigar essa poluição longe do chão: um drone equipado com um coletor de partículas. Durante voos no Colorado, nos Estados Unidos, a equipe confirmou a presença de plástico a 100 metros de altura e demonstrou que o sistema pode funcionar como plataforma de coleta atmosférica.

O avanço está na combinação de equipamentos. Segundo o Instituto Cooperativo de Pesquisa em Ciências Ambientais, o CIRES, esta foi a primeira utilização bem-sucedida de um amostrador ciclônico ambiental instalado em um drone para coletar microplásticos. A novidade, portanto, não é a descoberta de plástico na atmosfera, mas uma maneira de investigá-lo em alturas específicas.

Um laboratório voador com autonomia limitada

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© Karl Greif – Unsplash

A equipe adaptou um instrumento usado no monitoramento de aerossóis para capturar partículas entre um e dez micrômetros. Depois, instalou o dispositivo em uma pequena aeronave não tripulada.

O maior obstáculo foi coletar ar suficiente. Como os microplásticos aparecem misturados a muitas outras partículas, uma amostra pequena poderia não conter material suficiente para análise. Ao mesmo tempo, cada voo tinha duração aproximada de apenas 25 minutos.

Os testes ocorreram no outono de 2024, no Hemisfério Norte. Os pesquisadores escolheram dois locais com intensa atividade humana: uma área próxima a uma rodovia movimentada e residências em Erie, além de um aterro em Arvada.

A confirmação veio depois do pouso

O estudo publicado na Scientific Reports descreve voos entre 80 e 100 metros acima do solo. O drone recolheu as amostras; a identificação dos plásticos ocorreu posteriormente em laboratório.

Os cientistas utilizaram microscopia óptica para contar as partículas e microscopia Raman para determinar sua composição. Essa segunda técnica ajuda a reconhecer materiais por suas características espectrais.

Nas partículas de três a dez micrômetros selecionadas pela aparência, os microplásticos confirmados representaram, em média, 13,8% da contagem após a correção com amostras de controle. Esse percentual se refere ao material selecionado para análise, não a todas as partículas presentes no ar.

As amostras continham principalmente heteroagregados: conjuntos de plástico misturado a outros materiais ambientais. Os autores consideram esse perfil compatível com material relacionado ao trânsito, sem estabelecer uma origem definitiva para cada fragmento.

Por que medir acima do solo importa

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© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

Conforme explica o comunicado do CIRES, da Universidade do Colorado em Boulder, a coleta atmosférica costuma ocorrer em telhados, estações terrestres ou embarcações. Essas plataformas ajudam a monitorar a poluição, mas oferecem acesso limitado a determinadas regiões e alturas.

Um drone pode complementar essas medições e alcançar locais onde instalar equipamentos fixos seria difícil ou caro. A proposta inclui futuras aplicações sobre o oceano e em ambientes remotos.

O próximo destino pode ser o Ártico

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© Alberto Restifo – Unsplash

A pesquisa representa uma prova de conceito: demonstra que a técnica funciona nas condições testadas. Ela ainda não oferece um mapa da distribuição dos microplásticos na atmosfera nem revela todos os caminhos percorridos pelas partículas.

Segundo a divulgação do Laboratório Nacional de Brookhaven, o grupo pretende usar o método para investigar a origem desses materiais e seu transporte por longas distâncias. O Ártico aparece entre os próximos objetivos.

Acompanhar esse deslocamento pode ajudar a esclarecer como a poluição chega a lugares afastados de suas fontes. Também pode fornecer dados para investigar possíveis efeitos sobre processos como a formação de nuvens e o derretimento do gelo marinho — questões que o experimento, por enquanto, não respondeu.

 

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