A mais recente reunião da Otan, realizada na Holanda, marcou um momento decisivo para o futuro da aliança militar ocidental. Sob a sombra da pressão norte-americana, os países europeus se comprometeram com um salto expressivo nos investimentos em defesa. Mas, para muitos analistas, o que está por trás dessa decisão não é consenso estratégico — e sim a submissão a um estilo de liderança imprevisível.
Compromisso inédito e influência norte-americana

Durante o encontro em Haia, os membros da Otan anunciaram que poderão destinar até 3,5% de seus PIBs para gastos militares — uma meta que supera largamente o patamar anteriormente estabelecido de 2%. Embora o valor ainda esteja abaixo dos 5% exigidos por Donald Trump, o presidente dos EUA reagiu positivamente ao novo acordo.
A imprensa francesa, porém, não deixou passar em branco o que considera uma clara capitulação. O Le Monde destacou que os europeus “se curvaram” às exigências do líder norte-americano, temendo o impacto de uma possível reavaliação do artigo 5 do tratado da Otan — cláusula que garante apoio mútuo em caso de ataque a um dos países-membros.
Elogios e críticas: a reação francesa ao novo cenário
Segundo o Le Figaro, Trump foi tratado com deferência incomum: foi elogiado pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, como um “homem de ação e de paz”, e até convidado para pernoitar no palácio do rei da Holanda. O jornal classificou a atitude dos europeus como “dócil” diante de um Trump “imperial”.
Apesar das críticas, o Le Figaro defende Rutte, afirmando que o secretário-geral agiu com pragmatismo para preservar a coesão da aliança. Com a guerra na Ucrânia ainda em curso, a Europa teria aceitado o custo político de agradar Trump para evitar uma ruptura mais profunda — sobretudo com os riscos que uma saída dos EUA representaria.
Alívio momentâneo, pressões duradouras
O Libération também destacou o clima de tensão até os momentos finais da cúpula. Segundo o jornal, o humor de Trump era imprevisível e toda a segurança de 450 milhões de europeus parecia depender de sua disposição pessoal. Felizmente, o encontro terminou com uma sensação de alívio generalizado e sem surpresas negativas — pelo menos no curto prazo.
O aumento no orçamento militar, no entanto, representa um desafio colossal para os países europeus. Embora coloque fim à dependência desproporcional dos EUA, inaugura um novo ciclo de pressões orçamentárias internas e reforça a percepção de que decisões estratégicas na Europa seguem sendo moldadas em Washington.
[Fonte: Terra]