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Tecnologia

Um robô humanoide poderá entrar primeiro em cenários perigosos — Singapura quer testar a ideia em 2028

Máquinas com IA estão sendo treinadas para entrar em locais onde um erro pode colocar vidas em risco. O primeiro teste fora do laboratório já tem data prevista.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Robôs humanoides já caminham, carregam objetos e trabalham em algumas fábricas. O próximo desafio é consideravelmente mais delicado: colocá-los diante de explosivos, vazamentos perigosos e ambientes onde agentes humanos poderiam se ferir. Singapura acaba de criar uma estrutura específica para transformar essa possibilidade em realidade. Se os testes funcionarem, um humanoide deverá começar a trabalhar ao lado de profissionais de segurança pública em apenas dois anos.

Singapura quer mandar a máquina primeiro quando o risco for alto demais

O projeto está sendo desenvolvido no novo Home Team Humanoid Robotics Centre (H2RC), uma instalação de aproximadamente 2.700 metros quadrados administrada pela HTX, agência de ciência e tecnologia ligada ao Ministério do Interior de Singapura.

Ali, robôs humanoides equipados com inteligência artificial serão preparados para colaborar com policiais, equipes de emergência e agentes penitenciários.

Uma das prioridades são vazamentos de materiais perigosos.

Em vez de enviar imediatamente um especialista, um humanoide poderia se aproximar da origem do vazamento, coletar amostras, manipular válvulas e participar das primeiras ações de contenção.

Outro cenário envolve explosões.

Depois de uma detonação, investigadores podem precisar entrar em áreas cheias de estruturas instáveis para procurar evidências. Além do risco de desabamento, existe a possibilidade de um segundo artefato explosivo permanecer no local.

A proposta é simples: o robô entraria antes do humano.

O plano também considera tarefas menos dramáticas, mas repetitivas ou fisicamente exigentes. Humanoides poderão realizar buscas em celas de presídios à procura de contrabando ou repor suprimentos médicos em ambulâncias.

O objetivo declarado não é criar policiais robóticos autônomos capazes de assumir todas as funções de um agente.

Singapura pretende utilizá-los justamente nas tarefas em que possuir um corpo mecânico pode representar uma vantagem.

E isso ajuda a explicar por que os robôs precisam se parecer tanto conosco.

Escadas, portas e válvulas revelam por que o formato humano pode ser útil

Praticamente toda infraestrutura usada por policiais e equipes de emergência foi projetada para o corpo humano.

Há escadas para pernas, maçanetas e ferramentas para mãos, interruptores para dedos e válvulas posicionadas para serem alcançadas por braços.

Criar máquinas especializadas poderia exigir adaptações nesses ambientes. Um humanoide, ao menos em teoria, pode operar dentro do mundo que já construímos para nós mesmos.

Sua anatomia também permite utilizar movimentos humanos como referência durante o treinamento.

No H2RC, os robôs poderão aprender ações como se agachar, manipular ferramentas, recolher objetos e girar válvulas. O centro possui ambientes que simulam instalações industriais e terrenos cobertos por escombros, além de sistemas de captura de movimento.

Mas copiar nossos movimentos é apenas uma parte do problema.

Os humanoides utilizarão Embodied AI, ou inteligência artificial incorporada. Diferentemente de um chatbot, esse tipo de sistema precisa transformar informações em ações físicas no mundo real.

Isso exige relacionar visão, linguagem e movimento enquanto o ambiente muda ao redor da máquina.

A HTX também está ampliando sua capacidade computacional com GPUs NVIDIA Grace Blackwell GB300 para apoiar o desenvolvimento e treinamento desses sistemas.

O primeiro humanoide operacional já tem uma data no calendário

Apesar das possibilidades, o governo de Singapura insiste que a tecnologia não está sendo desenvolvida para substituir policiais, bombeiros ou funcionários penitenciários.

Na inauguração do centro, o ministro da Justiça e segundo ministro do Interior, Edwin Tong, afirmou que a intenção é complementar o trabalho dessas equipes.

Máquinas poderiam assumir atividades perigosas, repetitivas ou fisicamente desgastantes, enquanto humanos permaneceriam responsáveis por tarefas que exigem julgamento, empatia, liderança e interação com outras pessoas.

Há ainda obstáculos importantes antes disso acontecer.

Os humanoides terão de demonstrar confiabilidade suficiente para atuar em situações reais e passar por avaliações de cibersegurança — um requisito especialmente relevante quando uma máquina conectada pode manipular equipamentos em ambientes críticos.

Singapura ainda não revelou quantos robôs pretende utilizar.

Mas estabeleceu um primeiro marco: 2028.

Se o programa avançar conforme planejado, nesse ano um dos humanoides deverá deixar o ambiente controlado de treinamento e começar a trabalhar junto aos agentes do Home Team.

Depois de anos vendo robôs humanoides correrem em demonstrações e carregarem caixas em fábricas, o experimento de Singapura pretende responder a uma questão muito mais séria: o que acontece quando enviamos uma máquina exatamente para o lugar onde não queremos arriscar uma vida humana?

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