Há menos de duas décadas, o smartphone transformou a maneira como conversamos, trabalhamos, compramos, viajamos e consumimos informação. Hoje, sair de casa sem ele parece quase impossível. Mas alguns dos nomes mais influentes da indústria tecnológica acreditam que essa dependência não será eterna. Elon Musk e Mark Zuckerberg projetam uma mudança profunda para os próximos anos, embora tenham ideias diferentes sobre qual dispositivo poderá assumir esse lugar.
O objeto que parecia definitivo pode ter prazo de validade

Os smartphones modernos se tornaram uma espécie de controle remoto da vida cotidiana. Aplicativos concentram bancos, mapas, redes sociais, câmeras, entretenimento, documentos, mensagens e ferramentas profissionais. Ainda assim, a história da tecnologia mostra que mesmo dispositivos aparentemente indispensáveis podem perder espaço rapidamente.
Para Elon Musk, essa transformação pode estar surpreendentemente próxima. O empresário ligado à SpaceX, Tesla e xAI afirmou que os celulares poderão se tornar obsoletos dentro de aproximadamente cinco ou seis anos, colocando essa mudança no horizonte de 2031.
Sua previsão não significa necessariamente que bilhões de smartphones serão jogados fora simultaneamente. O processo imaginado é mais gradual: o aparelho deixaria de ser o centro da experiência digital à medida que outras formas de interação com a inteligência artificial assumissem funções hoje realizadas por aplicativos.
O telefone, nessa visão, poderia se transformar essencialmente em um nó de conexão com sistemas de IA, responsável por transmitir informações e manter o usuário conectado, enquanto boa parte do processamento e das decisões seria realizada por inteligência artificial.
Isso mudaria até a lógica atual de abrir um aplicativo para cada tarefa.
Musk imagina um futuro em que a IA elimina boa parte dos aplicativos

Hoje, pedir comida, reservar uma passagem ou procurar determinada informação exige normalmente desbloquear o celular, localizar um aplicativo, navegar por menus e executar diferentes comandos.
A inteligência artificial promete encurtar esse caminho.
Em vez de escolher manualmente qual aplicativo utilizar, seria possível simplesmente explicar o objetivo. Um assistente compreenderia a intenção, encontraria os serviços necessários e executaria parte das etapas sozinho.
Essa mudança ajuda a entender por que o desaparecimento do smartphone tradicional não depende necessariamente da chegada de um único aparelho revolucionário. O verdadeiro salto pode estar na transformação da interface.
Musk aposta em uma experiência cada vez mais dominada pela IA e por conectividade permanente. Nesse cenário, telas e aplicativos individuais perderiam importância porque o sistema anteciparia necessidades e produziria conteúdos personalizados em tempo real.
Mas Mark Zuckerberg enxerga um caminho um pouco diferente.
Para o fundador da Meta, existe um objeto cotidiano capaz de substituir grande parte das funções do smartphone sem obrigar as pessoas a manter uma tela constantemente nas mãos.
E ele já está sendo desenvolvido.
Zuckerberg aposta que o próximo computador ficará diante dos nossos olhos

A visão da Meta passa pelas óculos inteligentes com realidade aumentada.
Zuckerberg já afirmou que, por volta de 2030, esse tipo de dispositivo poderá assumir muitas das tarefas atualmente concentradas nos celulares, reduzindo progressivamente a necessidade de consultar um smartphone.
A ideia parece simples, mas exige tecnologias bastante sofisticadas.
Imagine caminhar por uma cidade desconhecida enquanto instruções de navegação aparecem diretamente no seu campo de visão. Uma mensagem poderia surgir discretamente diante dos olhos. Chamadas, tradução em tempo real, fotografias, vídeos e informações contextuais poderiam ser acessados sem retirar um aparelho do bolso.
A inteligência artificial seria essencial para tornar essa interação natural.
Em vez de tocar constantemente em ícones, o usuário poderia conversar com um assistente, utilizar gestos ou simplesmente olhar para determinados objetos. A IA interpretaria o ambiente e decidiria quais informações são relevantes naquele momento.
A própria Meta já vem ampliando sua aposta em dispositivos equipados com inteligência artificial, inclusive explorando novos formatos de assistentes permanentes para diferentes situações do cotidiano e do trabalho.
O celular provavelmente não desaparecerá de um dia para o outro
Apesar das previsões ambiciosas, há uma diferença importante entre imaginar o futuro e conseguir colocá-lo no bolso, ou diante dos olhos, de bilhões de pessoas.
Os smartphones oferecem vantagens difíceis de substituir: são relativamente compactos, possuem telas excelentes, câmeras avançadas, baterias cada vez melhores e um gigantesco ecossistema de aplicativos construído durante quase duas décadas.
Óculos inteligentes ainda precisam superar obstáculos envolvendo autonomia, peso, preço, privacidade, conforto e aceitação social. Assistentes de inteligência artificial, por sua vez, precisam demonstrar confiabilidade suficiente para assumir tarefas mais importantes sem supervisão constante.
Por isso, o cenário mais plausível pode ser uma transição.
Primeiro, relógios, óculos, fones e assistentes de IA começam a absorver pequenas tarefas. Depois, retirar o celular do bolso se torna cada vez menos necessário. Finalmente, o smartphone pode continuar existindo, mas deixar de ocupar o papel central que possui atualmente.
Foi algo parecido com o que aconteceu com outros dispositivos. Computadores não desapareceram quando os smartphones chegaram. Apenas deixaram de ser necessários para inúmeras tarefas cotidianas.
Se Musk e Zuckerberg estiverem certos, a próxima revolução talvez não seja marcada pelo lançamento de um celular melhor. Pode acontecer justamente quando percebermos que passamos horas sem precisar olhar para um.
[Fonte: Infobae]