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Ciência

Um rover vai perfurar o solo de Marte em busca de vestígios de vida: a vasta região de argilas que pode revelar o passado perdido do planeta vermelho

Sob uma extensa camada de minerais formados há cerca de 4 bilhões de anos, cientistas acreditam que Marte pode guardar algumas das pistas mais importantes sobre sua história. A próxima missão europeia pretende investigar depósitos de argila gigantescos que podem preservar sinais de antigos ambientes habitáveis.
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Marte já foi muito diferente do deserto frio e seco que observamos hoje. Diversas evidências indicam que o planeta vermelho abrigou rios, lagos e talvez até oceanos em um passado distante. Agora, uma nova etapa dessa investigação está prestes a começar com a missão ExoMars, que levará o rover Rosalind Franklin a uma das regiões mais promissoras já identificadas para a busca de sinais de vida extraterrestre.

O alvo da missão é Oxia Planum, uma vasta área coberta por depósitos de argila que podem conter registros preservados das condições ambientais existentes há bilhões de anos. Para os cientistas, explorar essa região significa voltar no tempo e investigar um período em que Marte possivelmente reunia os ingredientes necessários para sustentar formas primitivas de vida.

Por que as argilas são tão importantes?

Um Novo Estudo Baseado Em Dados Da Nasa Reacende Um Dos Maiores MistériOS Sobre Marte.
© EFE/Björn Schreiner/Fu Berlin

As argilas despertam grande interesse porque sua formação depende da presença de água líquida. Na Terra, esses minerais costumam surgir em ambientes úmidos e podem preservar compostos químicos por períodos extremamente longos.

Em Marte, a descoberta de extensas camadas de argila sugere que grandes volumes de água estiveram presentes na superfície do planeta durante sua juventude. Estudos recentes mostram que esses depósitos não se limitam a Oxia Planum, mas se estendem por centenas de quilômetros até a região de Mawrth Vallis.

Essa continuidade indica que o processo de formação ocorreu em escala regional ou até global. Os sedimentos ocupam uma faixa com cerca de 600 quilômetros de extensão e ultrapassam um quilômetro de espessura em alguns pontos, reforçando a hipótese de que uma imensa massa de água tenha existido na região há bilhões de anos.

Alguns pesquisadores consideram até mesmo a possibilidade de que um antigo oceano marciano tenha coberto parte dessa área em um período muito remoto.

Um registro geológico com 4 bilhões de anos

As argilas de Oxia Planum estão entre os materiais mais antigos já identificados em Marte. Sua idade é estimada em aproximadamente 4 bilhões de anos, período em que o planeta ainda passava por profundas transformações geológicas e climáticas.

Ao estudar essas camadas, os cientistas descobriram uma antiga superfície localizada entre diferentes depósitos minerais. Essa estrutura indica que houve uma interrupção significativa na sedimentação antes que novos materiais fossem depositados sobre ela.

A descoberta sugere mudanças importantes nas condições ambientais da época. Em algum momento, Marte parece ter alternado entre períodos mais úmidos e fases mais secas, modificando a composição química da água e influenciando a formação dos minerais encontrados atualmente.

Essas pistas ajudam os pesquisadores a reconstruir a evolução climática do planeta e compreender quando e por quanto tempo ambientes potencialmente habitáveis existiram em sua superfície.

O laboratório móvel que vai explorar Marte

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© NASA

O rover Rosalind Franklin foi projetado especificamente para procurar sinais de vida passada. Para isso, ele contará com uma série de instrumentos científicos avançados capazes de analisar o solo e as rochas marcianas com um nível de detalhe sem precedentes.

Entre os equipamentos estão câmeras de alta resolução, espectrômetros capazes de identificar a composição química dos minerais, radar de penetração no solo e um laboratório completo instalado dentro do próprio veículo.

Mas o instrumento mais importante da missão é seu sistema de perfuração. Diferentemente de outros rovers enviados anteriormente a Marte, o Rosalind Franklin poderá perfurar até dois metros abaixo da superfície.

Essa capacidade é considerada fundamental porque as camadas subterrâneas permanecem mais protegidas da intensa radiação cósmica que atinge o planeta. Como consequência, moléculas orgânicas e possíveis evidências biológicas têm maiores chances de permanecer preservadas.

Em busca dos primeiros sinais de vida marciana

O principal objetivo da missão é encontrar indícios de que Marte já tenha abrigado alguma forma de vida microscópica.

Os cientistas procurarão compostos orgânicos, padrões químicos incomuns e possíveis bioassinaturas — características capazes de indicar atividade biológica passada. A investigação também ajudará a entender como a água circulava na região e quais condições ambientais existiam durante os primeiros bilhões de anos da história marciana.

Enquanto o rover se prepara para iniciar sua exploração, equipes científicas continuam mapeando a extensão dos depósitos de argila e identificando novas áreas de interesse.

Se os pesquisadores encontrarem evidências de antigos microambientes ricos em água, calor e nutrientes, Marte poderá se tornar o primeiro local além da Terra onde sinais concretos de vida passada sejam identificados. E isso representaria uma das descobertas mais importantes da história da exploração espacial.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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