Pular para o conteúdo
Ciência

Uma das maiores estrelas do Universo mudou de cor, encolheu e pode explodir a qualquer momento — cientistas acompanham possível supernova extragaláctica em tempo real

Uma gigante com mais de 1.500 vezes o raio do Sol sofreu uma transformação dramática e pode estar prestes a morrer em uma explosão colossal. Se isso acontecer, astrônomos poderão testemunhar, pela primeira vez, todas as etapas finais de uma supernova fora da Via Láctea.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Uma estrela colossal localizada fora da nossa galáxia entrou em uma fase crítica de sua existência — e os cientistas acreditam que ela pode explodir em breve. O objeto, conhecido como WOH G64, passou por uma mudança radical nos últimos anos, despertando atenção global. Um estudo publicado na revista Nature Astronomy sugere que estamos diante de uma oportunidade rara: acompanhar, quase em tempo real, os últimos momentos de uma estrela massiva antes de sua explosão final.

Uma gigante fora da Via Láctea

Supercomputador japonês recria a Via Láctea estrela por estrela — veja como a IA virou o jogo
© Pexels

WOH G64 está situada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã que orbita a Via Láctea e pode ser observada do hemisfério sul — inclusive do Brasil, em condições ideais. Trata-se de uma das maiores estrelas já identificadas, com um raio estimado em mais de 1.500 vezes o do Sol.

Descoberta na década de 1970, ela sempre foi considerada um objeto peculiar. Mas o salto mais impressionante na sua observação ocorreu recentemente. Em 2024, tornou-se a primeira estrela extragaláctica a ser fotografada com alto nível de detalhe graças ao Interferômetro do Very Large Telescope (VLT), no Chile. As imagens revelaram uma extensa camada de poeira ao seu redor — sinal claro de que a estrela está perdendo massa de forma intensa.

De supergigante vermelha a hipergigante amarela

O ponto central do novo estudo, liderado por Gonzalo Muñoz-Sánchez, do Observatório Nacional de Atenas, é uma transformação detectada em 2014. WOH G64 deixou de ser classificada como supergigante vermelha e passou a ser considerada uma hipergigante amarela — uma categoria ainda mais rara e instável.

Essa mudança indica que a estrela está atravessando uma fase avançada e acelerada de sua evolução. Estrelas massivas vivem pouco quando comparadas ao Sol. Enquanto nossa estrela tem cerca de 4,6 bilhões de anos e ainda deve brilhar por bilhões de anos adicionais, WOH G64 tem menos de cinco milhões de anos — e já se aproxima do fim.

Após esgotar o hidrogênio em seu núcleo, ela passou a fundir hélio, expandindo-se dramaticamente. Agora, ao consumir os últimos combustíveis nucleares disponíveis, seu núcleo começa a se contrair, elevando a temperatura da superfície e alterando sua aparência.

O “supervento” que anuncia o fim

Durante essa transição, os pesquisadores identificaram um fenômeno conhecido como “supervento”: intensas pulsações internas fazem com que a estrela expulse suas camadas externas em ritmo acelerado. Esse processo é típico das fases que antecedem uma supernova — a explosão final que marca a morte de estrelas muito massivas.

Os dados espectroscópicos indicam que WOH G64 está perdendo massa rapidamente. Esse comportamento pode estar ligado apenas à sua evolução natural, mas há outro fator em jogo.

O estudo também encontrou evidências da presença de uma estrela companheira. A interação gravitacional entre as duas pode ter intensificado a perda de massa, contribuindo para a mudança abrupta observada em 2014.

Uma supernova extragaláctica documentada em tempo real?

Supernova Estrela
© X-@alex_riveiro

Segundo Muñoz-Sánchez, estrelas desse porte inevitavelmente explodem. O desafio é prever quando isso acontecerá. Pode ser em milhares de anos — ou muito antes.

A grande novidade é a possibilidade inédita de acompanhar todas as etapas finais de uma estrela massiva fora da Via Láctea com esse nível de detalhe. Caso WOH G64 se transforme em supernova nas próximas décadas, os astrônomos terão uma chance única de estudar o processo completo com instrumentos modernos.

Além do espetáculo cósmico, o evento forneceria dados essenciais sobre a física interna de estrelas gigantes, a formação de elementos pesados e os mecanismos que governam explosões estelares.

Observar a morte de WOH G64 seria mais do que um evento astronômico impressionante. Seria uma peça fundamental para completar o quebra-cabeça da evolução das estrelas mais massivas do Universo — e talvez um dos raros momentos em que a humanidade consegue assistir, ao vivo, ao fim explosivo de um colosso cósmico.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados