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Ciência

Você trocaria sua rotina por gelo e isolamento extremo? A Antártida está contratando

Bases científicas na Antártida buscam profissionais de várias áreas — não apenas cientistas. A experiência promete aventura única, mas cobra um preço alto no dia a dia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Trabalhar no continente mais frio do planeta pode parecer coisa de filme — mas é uma realidade para milhares de pessoas todos os anos. Com novas vagas abertas, programas científicos voltam a recrutar profissionais dispostos a viver meses cercados por gelo, silêncio e isolamento. A proposta atrai aventureiros, mas exige muito mais do que coragem para enfrentar temperaturas extremas.

Muito além dos cientistas

Você trocaria sua rotina por gelo e isolamento extremo? A Antártida está contratando
© Pexels

Tanto o British Antarctic Survey (BAS), do Reino Unido, quanto o programa antártico dos Estados Unidos estão recrutando novos profissionais para trabalhar no continente gelado. E não é preciso ter formação científica.

Entre as vagas disponíveis há funções como carpinteiros, eletricistas, encanadores, paramédicos, chefs e até cabeleireiros. Essas posições operacionais representam cerca de 70% das contratações do BAS e são essenciais para manter as bases funcionando.

Um exemplo é Dan McKenzie, hoje com 38 anos, que atua como chefe da estação Halley VI. Ex-engenheiro naval, ele chegou à Antártida após buscar experiências em locais remotos pelo mundo. Atualmente, lidera uma equipe de cerca de 40 pessoas durante o verão polar.

Na base, instalada sobre a plataforma de gelo Brunt, os trabalhos incluem monitoramento atmosférico, estudos espaciais e observação do buraco na camada de ozônio.

Rotina no fim do mundo

Você trocaria sua rotina por gelo e isolamento extremo? A Antártida está contratando
© Pexels

Mesmo no verão antártico, as condições são severas. Durante a entrevista à BBC, McKenzie relatou temperaturas de cerca de −15 °C — consideradas relativamente “boas” na região. No inverno, os termômetros podem cair para −40 °C.

Além do frio, há desafios menos óbvios. No verão, o sol praticamente não se põe por semanas. Já no inverno, a escuridão domina o continente por longos períodos.

Como chefe da estação, McKenzie administra suprimentos, protocolos de segurança e também questões humanas. O isolamento e a convivência intensa exigem atenção constante ao bem-estar da equipe.

Segundo ele, o ambiente acaba criando laços fortes. Durante o inverno, quando a maioria deixa o continente, pequenos grupos permanecem e formam uma comunidade extremamente unida.

O que é preciso para se candidatar

O BAS recruta até 150 profissionais por ano. Os salários começam em cerca de £31.244 anuais (aproximadamente R$ 218 mil), com viagem, moradia, alimentação e equipamentos incluídos.

No verão, cerca de 5 mil pessoas trabalham na Antártida, distribuídas por aproximadamente 80 estações operadas por 30 países.

Mas o pacote vem com condições claras:

  • Alimentos frescos são limitados
  • O consumo de álcool é restrito
  • Acomodação geralmente é em dormitórios compartilhados
  • A escala de trabalho é de sete dias por semana

O processo seletivo inclui testes psicológicos e de resolução de problemas, além de treinamento rigoroso antes do embarque.

O maior desafio não é o frio

Especialistas afirmam que o obstáculo mais difícil costuma ser a convivência constante. A diretora de RH do BAS, Mariella Giancola, diz que muitos candidatos subestimam o impacto de viver sem privacidade.

Segundo o psicólogo Duncan Precious, conflitos interpessoais podem se tornar mais desgastantes do que os riscos físicos do ambiente polar.

Ainda assim, há quem prospere sob esse tipo de pressão. Perfis que buscam aventura e desafios intensos tendem a se adaptar melhor ao que ele chama de “estresse positivo”.

Vale a pena?

Apesar das exigências, McKenzie diz que a experiência compensa. Ele admite que o primeiro mês foi difícil, mas que a percepção mudou ao vivenciar a rotina no continente.

Entre os momentos marcantes, cita passeios de barco, sobrevoos em aeronaves leves e o encontro com uma colônia de pinguins-imperadores — cenas que descreve como saídas diretamente de um documentário.

Para quem busca uma experiência fora do comum, as vagas na Antártida continuam abertas. A pergunta que fica é simples — e decisiva: você encararia?

[Fonte: BBC]

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