A queda de cabelo pode estar prestes a ganhar um tratamento muito mais simples. Um novo medicamento oral desenvolvido pela Veradermics demonstrou resultados expressivos em um ensaio clínico avançado. Trata-se do VDPHL01, uma versão em comprimido do minoxidil — princípio ativo presente no popular Rogaine.
Se aprovado, o remédio pode representar a primeira grande inovação no tratamento da calvície em décadas.
Um comprimido para substituir loções e espumas
O minoxidil tópico é utilizado há mais de 30 anos para tratar a alopecia androgenética, também conhecida como calvície padrão. Aplicado diretamente no couro cabeludo, ele ajuda a retardar a queda e estimular o crescimento capilar.
Apesar de eficaz, o tratamento tem limitações. Pode causar irritação na pele, deixar resíduos incômodos e exige aplicação contínua. Além disso, há um detalhe importante: o produto é tóxico para animais de estimação, o que exige cuidado extra em casa.
Nos últimos anos, dermatologistas passaram a usar versões orais de baixa dose do minoxidil, originalmente indicado para hipertensão. No entanto, esse uso ainda é considerado “off-label” — ou seja, fora das indicações oficialmente aprovadas — e baseado em estudos menores.
O que torna o VDPHL01 diferente
Segundo a Veradermics, o VDPHL01 não é apenas uma adaptação simples do minoxidil em comprimido. O medicamento utiliza uma formulação de liberação prolongada, projetada para manter níveis estáveis da substância no organismo.
A ideia é equilibrar eficácia e segurança: doses suficientes para estimular o crescimento capilar, mas controladas o bastante para reduzir efeitos colaterais, especialmente os cardiovasculares, que podem ocorrer quando o minoxidil é usado em doses mais altas.
Resultados que chamaram a atenção
Os dados mais recentes vêm de um estudo clínico de fase II/III, envolvendo mais de 500 homens com queda de cabelo leve a moderada. Durante seis meses, os participantes foram divididos em três grupos: placebo, dose única diária do medicamento ou duas doses diárias.
Os resultados foram claros:
- Cerca de 79% dos pacientes que tomaram uma dose diária apresentaram crescimento significativo de cabelo
- No grupo com duas doses diárias, esse número chegou a 86%
- Já no grupo placebo, apenas 36% observaram algum crescimento
Além disso, aproximadamente metade dos participantes da dose única e dois terços do grupo com duas doses relataram melhora visível na densidade capilar. No grupo placebo, apenas 13% tiveram essa percepção.
Segurança e efeitos colaterais
Outro ponto importante foi o perfil de segurança. A taxa geral de efeitos adversos foi semelhante entre os grupos que tomaram o medicamento e o grupo placebo.
Não foram registrados eventos graves relacionados ao sistema cardiovascular — uma preocupação comum com o uso de minoxidil oral. Cerca de 5% dos participantes apresentaram retenção de líquidos nas extremidades, mas apenas 1% precisou interromper o tratamento.
Para especialistas como Maryanne Makredes Senna, da Harvard Medical School, os resultados indicam um potencial de mudança significativa na abordagem da calvície masculina.
O futuro do tratamento capilar
Com esses resultados, a expectativa é que o VDPHL01 avance rapidamente para aprovação regulatória. Se isso acontecer, ele poderá se tornar o primeiro novo medicamento oral aprovado para calvície em quase 30 anos.
Atualmente, uma das principais alternativas em comprimido é o finasterida (vendida como Propecia), mas seu uso pode estar associado a efeitos colaterais hormonais, como disfunção sexual — o que leva muitos pacientes a buscar outras opções.
Além do VDPHL01, outras tecnologias também estão em desenvolvimento. Empresas como Cosmo Pharmaceuticals e Pelage Pharmaceuticals trabalham em novos tratamentos tópicos e experimentais que podem chegar ao mercado nos próximos anos.
Uma nova fase no combate à calvície
Se confirmado, o sucesso do minoxidil oral pode marcar uma virada importante. A possibilidade de tratar a queda de cabelo com um simples comprimido — eficaz, seguro e fácil de usar — tem potencial para ampliar o acesso e melhorar a adesão ao tratamento.
Para milhões de pessoas, isso significa algo simples, mas poderoso: mais opções, menos incômodo e, talvez, resultados melhores.