Satélites dependem quase totalmente da energia do Sol para operar. Painéis solares captam a luz e a transformam em eletricidade que alimenta instrumentos, sensores e sistemas de comunicação. O problema é que esses veículos passam parte significativa do tempo na sombra da Terra, quando o planeta bloqueia a luz solar. Agora, uma startup americana acredita ter encontrado uma solução tecnológica para esse desafio: enviar energia solar para satélites por meio de feixes de laser.
Uma startup que quer mudar a forma como satélites recebem energia
A empresa Mantis Space, sediada no estado do Novo México, saiu recentemente do chamado “modo stealth”, fase em que startups trabalham discretamente antes de revelar seus projetos ao público.
A companhia anunciou que levantou cerca de 10 milhões de dólares em financiamento inicial. Esse capital será usado para desenvolver um protótipo de carga útil que faz parte de um sistema mais amplo de distribuição de energia no espaço.
O plano da empresa é criar uma constelação de satélites posicionados em órbitas mais altas, equipados com grandes painéis solares. Esses satélites captariam a luz do Sol e, em seguida, transmitiriam essa energia para outras naves utilizando feixes de laser.
O problema da sombra da Terra
A maioria dos satélites atualmente em operação depende de painéis solares para gerar eletricidade. No entanto, conforme percorrem suas órbitas ao redor do planeta, eles passam regularmente pela sombra da Terra.
Em média, um satélite pode ficar cerca de um terço do tempo sem receber luz solar direta. Durante esses períodos, a nave depende de baterias — geralmente baterias de íons de lítio — para continuar funcionando.
Essas baterias adicionam peso ao satélite e ocupam espaço que poderia ser usado para instrumentos ou equipamentos científicos.
A proposta da Mantis Space é reduzir essa dependência de baterias, fornecendo energia contínua mesmo quando os satélites estiverem na escuridão.
Energia enviada por feixes de laser
Para tornar isso possível, a empresa pretende utilizar lasers de alta potência semelhantes aos utilizados em aplicações militares.
Esses lasers gerariam feixes de luz em um comprimento de onda otimizado para produção de energia. A ideia é que os satélites receptores convertam essa luz novamente em eletricidade por meio de seus próprios sistemas fotovoltaicos.
Segundo o CEO da empresa, Eric Truitt, o sistema poderia fornecer energia com uma eficiência entre 20% e 30% superior à luz solar direta em determinadas condições.
Isso ocorre porque o feixe de laser pode ser ajustado para um espectro de luz específico que maximize a conversão energética nos painéis solares.
Um protótipo previsto para 2028
A empresa planeja lançar seu primeiro protótipo em 2028. Esse sistema experimental incluiria até quatro feixes de laser por satélite.
Se os testes forem bem-sucedidos, a Mantis Space pretende expandir o sistema para uma constelação maior, capaz de fornecer energia simultaneamente para cerca de 40 satélites.
Diferentemente de muitas startups espaciais que buscam aumentar o número de satélites em órbita, a Mantis quer melhorar o desempenho dos que já estão no espaço.
A ideia é conectar essas naves a uma fonte de energia praticamente contínua.
Uma nova etapa na infraestrutura espacial
A proposta da Mantis Space se encaixa em uma tendência crescente na indústria espacial: desenvolver infraestrutura orbital capaz de apoiar outras missões.
Nos últimos anos, surgiram projetos voltados para reabastecimento de satélites, manutenção em órbita e até fabricação no espaço.
A transmissão de energia por laser poderia se tornar mais uma peça desse ecossistema.
Se a tecnologia funcionar como esperado, satélites futuros poderiam ser projetados com baterias menores e sistemas mais leves, aumentando sua eficiência e reduzindo custos de lançamento.
Ainda há desafios técnicos importantes, como precisão na transmissão de energia e segurança dos feixes de laser no ambiente espacial.
Mesmo assim, a ideia de criar uma rede orbital de energia mostra como a indústria espacial continua explorando soluções inovadoras para ampliar as capacidades das tecnologias já presentes em órbita.