A Voyager 1 é hoje o objeto humano mais distante da Terra. De acordo com a Nasa, ela está a mais de 25 bilhões de quilômetros, o equivalente a 168 unidades astronômicas (UA) — lembrando que 1 UA é a distância entre a Terra e o Sol. Só o sinal de rádio leva 23 horas e 20 minutos para chegar até nós.
Já a Voyager 2, que seguiu outro caminho, também cruzou a heliosfera em 2018. Atualmente, está a 21 bilhões de quilômetros, cerca de 140 UA. Seu sinal leva quase 19 horas e meia para atingir nosso planeta. Ambas foram pioneiras: em 2012, a Voyager 1 tornou-se a primeira nave a ultrapassar a “bolha” protetora do Sol; seis anos depois, a Voyager 2 repetiu o feito.
Como ainda conseguimos falar com elas
A comunicação com sondas tão distantes é possível graças ao Deep Space Network (DSN), rede global de antenas gigantes da Nasa. Esses radares captam sinais extremamente fracos — menos de um milionésimo da energia de uma lâmpada comum.
A energia das sondas vem de geradores termoelétricos de radioisótopos (RTGs), que transformam o calor do decaimento do plutônio-238 em eletricidade. Mas há um problema: essa fonte não dura para sempre. A cada ano, as Voyager perdem cerca de 4 watts de potência, obrigando a Nasa a desligar instrumentos menos críticos para manter os essenciais funcionando.
O legado científico das Voyager
As duas sondas foram responsáveis por descobertas únicas. Foram as primeiras a observar de perto Urano e Netuno, registraram imagens inéditas de luas e anéis e revelaram mistérios da atmosfera de Júpiter e Saturno.
Mais recentemente, ajudaram a compreender a transição entre a heliosfera e o espaço interestelar, fornecendo dados preciosos sobre partículas e campos magnéticos que jamais poderiam ser medidos da Terra.
Um marco cultural além da ciência
As Voyager não carregam apenas ciência. Cada uma leva consigo o famoso “Disco de Ouro”, um registro simbólico com sons e imagens da Terra — músicas, saudações em diferentes idiomas e até batimentos cardíacos. A ideia é simples e ousada: deixar uma mensagem de quem somos, caso alguma civilização alienígena um dia encontre as sondas.
Mesmo quando pararem de enviar sinais, as Voyager seguirão viajando por milhões de anos, atravessando regiões além da influência do Sol. Mais do que artefatos científicos, são cápsulas do tempo, carregando um pedaço da história da humanidade pelo cosmos.
A história das Voyager é um lembrete poderoso: mesmo com tecnologia dos anos 70, conseguimos construir máquinas que atravessaram os limites do Sistema Solar. Descubra como esse feito continua inspirando a ciência e, principalmente, mostrando até onde a curiosidade humana pode nos levar.
[Fonte: CNN Brasil]