A descoberta foi feita por uma equipe liderada pelo vulcanólogo Pablo Gonzáles, do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (IPNA-CSIC), e publicada na revista Geophysical Research Letters. Segundo o estudo, o Taftan deve ser considerado um vulcão dormente — ou seja, não está em erupção, mas pode voltar à ativa no futuro.
A análise aponta para um acúmulo de pressão gasosa entre 490 e 630 metros abaixo da superfície. Isso indica que o vulcão está “respirando” novamente, ainda que de forma discreta. O reservatório de magma, porém, continua distante, a cerca de 3,5 quilômetros de profundidade.
“Ele precisa se liberar de alguma forma no futuro, seja de forma violenta ou mais silenciosa”, explicou Gonzáles em entrevista ao Live Science.
Sinais detectados do espaço

O Taftan tem um formato cônico e se eleva a cerca de 3,9 mil metros de altitude, cercado por outras montanhas e antigos vulcões. Em 2020, as primeiras imagens de satélite da região não mostravam nada incomum. Mas, recentemente, moradores relataram emissões gasosas — e isso chamou a atenção dos cientistas.
A equipe então revisou os dados da Agência Espacial Europeia (ESA) e detectou o movimento vertical do solo. Embora o fenômeno ainda não represente perigo imediato, ele confirma que o sistema vulcânico segue ativo, mesmo após 700 mil anos sem erupções conhecidas.
Alerta, não pânico
Os pesquisadores reforçam que o objetivo não é causar alarde, e sim garantir monitoramento contínuo. O Irã está em uma das regiões geologicamente mais complexas do planeta, cortada por falhas e áreas sísmicas ativas. O estudo serve como um alerta científico para que autoridades locais destinem recursos a observações mais detalhadas.
“Este estudo não visa causar pânico na população”, destacou Gonzáles. “Mas é fundamental que a região esteja preparada para qualquer eventualidade.”
Seja um sinal discreto ou um prenúncio distante, o despertar do Taftan mostra que até mesmo vulcões “aposentados” podem, um dia, decidir voltar ao trabalho.
[Fonte: Metrópoles]