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Wonsan, o resort secreto da Coreia do Norte que só abre para turistas russos da elite

Entre praias vazias, hotéis novíssimos e souvenirs incomuns, um resort à beira-mar se tornou vitrine de um regime fechado ao mundo — mas a escolha de seus visitantes revela um objetivo muito além do turismo.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Em um dos países mais isolados do planeta, um novo resort de luxo está atraindo atenção internacional — não por sua capacidade de receber multidões, mas pela exclusividade extrema que impõe. Localizado na costa leste, ele abre suas portas apenas para um grupo muito seleto de estrangeiros, transformando cada detalhe da estadia em uma demonstração de poder, propaganda e alianças estratégicas.

Luxo sob medida… e com agenda política

O complexo de Wonsan Kalma começou a ser construído em 2018, inspirado em destinos turísticos internacionais. A ideia era incluir hotéis, cassino, shopping e parque aquático, mas boa parte ainda está inacabada. A reabertura parcial das fronteiras em fevereiro marcou o início de uma nova fase: receber apenas turistas russos de alto poder aquisitivo. A primeira visita coincidiu com a chegada do chanceler russo Serguéi Lavrov, recebido pessoalmente por Kim Jong Un, reforçando o simbolismo político da iniciativa.

Viagem exclusiva, preços curiosos

A experiência começou com três dias em Pyongyang, seguidos por uma viagem de trem de dez horas até a costa. Em Wonsan, os visitantes desfrutaram de praias reservadas a estrangeiros e atendimento personalizado. Chamavam atenção detalhes como cervejas a 60 centavos de euro, maquetes de mísseis vendidas por 465 dólares e atividades sem preço definido, onde pagamentos eram aceitos apenas em moedas fortes.

Propaganda e controle disfarçados

O resort é também um palco para a narrativa oficial. Durante a estadia dos russos, a visita de Lavrov trouxe ao local membros da elite norte-coreana, facilmente identificados por trajes e celulares. Foram permitidas fotos raras, inclusive de brinquedos bélicos e slogans propagandísticos em ônibus. No entanto, o controle era constante — de ignorar placas de “Não perturbe” até ajustar a água quente dos quartos sem aviso prévio.

Mais do que férias: um recado ao mundo

Para Pyongyang, Wonsan Kalma serve menos como empreendimento turístico e mais como ferramenta de propaganda. Ao restringir o acesso a russos, o regime sinaliza sua aproximação estratégica com Moscou e exibe uma imagem de prosperidade interna. Mesmo com baixa perspectiva de atrair turismo internacional em larga escala, a prioridade parece ser reforçar alianças e projetar influência.

Um segundo grupo de visitantes russos já é esperado. Enquanto isso, as praias continuarão vazias para a maioria dos viajantes, e Wonsan seguirá como um símbolo de luxo cuidadosamente controlado, reservado apenas para quem o regime considera digno de conhecer.

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