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Tecnologia

YouTube decreta o fim da era dos vídeos virais que todo mundo via

Plataforma elimina a aba "Em Alta" e aposta em recomendações personalizadas — sinal de que a monocultura da internet ficou no passado.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Lembra de quando “Gangnam Style” ou “Baby Shark” dominavam o YouTube e todo mundo, literalmente, assistia ao mesmo vídeo? Pois é, esse tempo ficou para trás. Em um movimento simbólico e estratégico, o YouTube anunciou o fim da aba Trending, conhecida no Brasil como “Em Alta”, marcando o encerramento definitivo de uma era: a da monocultura online.

Um adeus à lista que ditava o que todos viam

Desde 2015, a aba “Em Alta” funcionava como uma vitrine dos vídeos mais populares da plataforma, sendo o último resquício de um tempo em que a internet parecia girar em torno dos mesmos conteúdos. Mas, segundo o próprio YouTube, essa lógica já não se aplica. Com o crescimento de comunidades e nichos específicos, a ideia de um vídeo “universalmente viral” perdeu espaço.

Em postagem oficial no blog da empresa, a plataforma explicou que as visitas à aba caíram significativamente nos últimos cinco anos. Com isso, o YouTube decidiu aposentar a página e, em seu lugar, dividir os conteúdos em categorias mais específicas: Músicas em Alta, Trailers de Filmes, Podcasts da Semana, além da já existente página dedicada a jogos.

Uma nova era de recomendações personalizadas

No lugar de tentar emplacar um único vídeo que todo mundo deveria ver, o YouTube vai dobrar a aposta em recomendações personalizadas. Com base em dados de navegação e nos interesses individuais dos usuários, a plataforma vai priorizar mostrar vídeos que “achamos que você vai adorar”, segundo a empresa.

Ainda haverá um menu de “Explorar”, que oferecerá conteúdo mais amplo e não-curado, para quem quiser buscar o que está em alta de forma mais livre — mas sem a antiga lista universal.

O conteúdo viral agora vive nos nichos

Com bilhões de vídeos sendo enviados diariamente — mais do que qualquer pessoa conseguiria assistir em vida —, o YouTube reconhece que os fenômenos virais hoje acontecem dentro de microcomunidades, muitas vezes sem atingir o público geral. Um vídeo pode ter milhões de visualizações e, mesmo assim, passar despercebido para quem está fora daquele universo.

Mas nem tudo são flores. Um dos maiores “nichos” emergentes é o chamado AI slop — conteúdo gerado por inteligência artificial em massa, geralmente com baixa qualidade. O próprio Google, dono do YouTube, tem contribuído para essa enxurrada. Em resposta, a plataforma anunciou recentemente que vai dificultar a monetização de vídeos que não sejam “originais” e “autênticos”, tentando evitar que futuras febres virais venham de algoritmos em vez de humanos criativos.

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