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Ciência

60% das doenças humanas vêm de animais: como a mudança climática multiplica o risco de pandemias

Grande parte das doenças que afetam os seres humanos vem dos animais, mas agora esse risco cresce de forma acelerada. Mudança climática, desmatamento e urbanização estão ampliando o alcance das zoonoses, comprometendo a saúde pública e até a segurança alimentar. Especialistas alertam para a urgência de novas políticas preventivas.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O que antes parecia uma possibilidade remota hoje é considerado uma ameaça global concreta. Estudos recentes mostram que 60% das infecções humanas têm origem animal e que 75% das novas doenças emergentes são zoonóticas. O avanço do desmatamento, a perda de habitats naturais e o aquecimento global criam condições ideais para a disseminação desses patógenos. O Brasil, assim como outros países tropicais, enfrenta um desafio direto: reduzir riscos antes que novas epidemias se tornem inevitáveis.

Zoonoses em expansão com o aquecimento global

A Organização Mundial de Saúde Animal alerta que enfermidades transmitidas por animais estão chegando a regiões antes livres delas. O aumento das temperaturas, o avanço das cidades sobre áreas naturais e a destruição de florestas facilitam a aproximação de morcegos, roedores e mosquitos aos ambientes urbanos. Isso amplia a transmissão de vírus como dengue, zika, chikungunya e malária — já conhecidos pelos brasileiros.

Impactos na economia e na segurança alimentar

Mais de 20% das perdas globais de alimentos têm ligação direta com doenças animais. No Brasil, surtos em rebanhos comprometem a oferta de proteínas essenciais, pressionando preços e aumentando a insegurança alimentar. Segundo especialistas, investir em prevenção é não apenas uma questão de saúde pública, mas também uma estratégia econômica fundamental para evitar prejuízos bilionários.

Doenças que persistem e retornam

A raiva em morcegos, a leptospirose em grandes cidades ou a leishmaniose visceral canina, presente em diversas regiões brasileiras, mostram como zoonoses antigas continuam ativas. Sem vigilância constante, vacinação de animais domésticos e educação da população, surtos aparentemente controlados podem rapidamente se transformar em epidemias.

O desafio da resistência antimicrobiana

Outro problema crescente é o uso abusivo de antibióticos em humanos e animais, que acelera a resistência bacteriana. Hoje, mais de 700 mil pessoas morrem por ano em decorrência de infecções resistentes. A Organização Mundial da Saúde estima que, até 2050, esse número pode alcançar 10 milhões. Entre as medidas urgentes estão restringir o uso preventivo de antibióticos em rebanhos e investir em diagnósticos mais precisos.

One Health: uma abordagem integrada para o futuro

A OMS, a FAO e a OMSA defendem o conceito de Uma Saúde (One Health), que integra saúde humana, animal e ambiental. Isso significa unir médicos, veterinários e gestores ambientais em políticas coordenadas de prevenção. Para o Brasil, esse modelo é crucial: passa por reduzir o desmatamento, combater a crise climática e reforçar campanhas de vacinação tanto em animais quanto em pessoas.

O recado da ciência é claro: prevenir hoje é a única forma de evitar que a próxima pandemia custe vidas, recursos e estabilidade social em escala global.

Fonte: Gizmodo ES

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