O avanço da eletrificação não é apenas uma corrida tecnológica, mas também uma batalha pela supremacia industrial. A China conquistou um domínio quase absoluto sobre as baterias de lítio, elemento-chave para veículos elétricos e armazenamento energético. Diante disso, os Estados Unidos articulam uma estratégia que passa pela Coreia do Sul — uma parceria que pode redefinir o futuro do transporte sustentável.
O domínio chinês quase absoluto
Em 2023, a China exportou cerca de 1,7 milhão de veículos elétricos, representando 30% de todas as vendas externas de automóveis do país. O segredo desse sucesso está no controle das baterias: Pequim concentra 57% da produção global voltada para carros elétricos. Empresas como CATL e BYD detêm mais da metade do mercado mundial, consolidando uma hegemonia difícil de enfrentar.
O poder chinês não se resume à fabricação. O país controla também a extração e o refino de lítio e terras raras, garantindo vantagem em escala e custos. Nem mesmo tarifas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia foram suficientes para conter o avanço de seus gigantes industriais.
Coreia do Sul: a carta dos EUA
Para reduzir a dependência, Washington buscou reforçar sua aliança com Seul. No fim de julho, a LG Energy Solution assinou um contrato de 4,3 bilhões de dólares com a Tesla para fornecer baterias de fosfato de ferro e lítio pelos próximos três anos. O acordo, apoiado pelo governo americano, representa uma tentativa de reduzir a influência de CATL e BYD no mercado.
Junto com LG, empresas como SK On e Samsung SDI formam o tripé sul-coreano da indústria de baterias. Apesar de terem perdido 5,4% de participação de mercado no primeiro semestre de 2025, segundo a SNE Research, elas continuam sendo a alternativa mais sólida fora do eixo chinês.
Repita comigo: não existe desenvolvimento à margem de uma estratégia nacional. Não foi por geração espontânea que a China passou a ter 6 das 10 maiores empresas do mundo do setor de baterias para veículos elétricos.🇨🇳🧵 pic.twitter.com/DWQXnqsSDu
— Diego Pautasso 🧉 (@dgpautasso) December 21, 2022
A ofensiva de Washington contra Pequim
A administração Trump intensificou a disputa ao incluir fabricantes chineses como CATL e BYD em listas de entidades estrangeiras proibidas. A medida impede que companhias americanas utilizem baterias chinesas caso queiram acessar subsídios federais.
Essa manobra cria um campo favorável para que as empresas sul-coreanas recuperem espaço em um mercado no qual a China parecia inatingível. Para os EUA, não se trata apenas de reduzir a dependência industrial, mas de garantir soberania tecnológica em um setor crucial para a mobilidade elétrica.
Uma batalha pelo futuro da energia
O confronto em torno das baterias é mais do que econômico: define os rumos da transição energética e a posição das grandes potências no século XXI. Enquanto a China amplia sua liderança, os EUA apostam em parcerias estratégicas para não ficar para trás. O resultado dessa disputa pode determinar quem controlará a energia que moverá o mundo nas próximas décadas.