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A cobrança que Elon Musk não esperava: investidores pedem mudanças radicais em sua atuação na Tesla

Elon Musk é conhecido por defender jornadas exaustivas de trabalho, mas um grupo de acionistas está exigindo que ele cumpra ao menos 40 horas semanais dedicadas à Tesla. A pressão inclui ainda pedidos por um plano de sucessão e limites ao acúmulo de cargos em outras empresas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A imagem de Elon Musk como um líder incansável começa a ser questionada por quem mais investe na Tesla. Um grupo de acionistas enviou uma carta à presidência do conselho da empresa pedindo mudanças estruturais urgentes. Para eles, Musk estaria mais focado em seus outros negócios do que na administração ativa da montadora — algo inaceitável, na visão dos investidores.

O CEO que exige muito, mas entrega pouco?

A cobrança que Elon Musk não esperava: investidores pedem mudanças radicais em sua atuação na Tesla
© https://x.com/ElonMuskNews47

Musk construiu a reputação de ser um líder que exige jornadas intensas de seus funcionários. Não são raras as declarações em que afirma trabalhar mais de 80 horas por semana, dormindo até no chão da fábrica para “salvar a Tesla”. Porém, segundo os investidores, esse compromisso não estaria mais sendo cumprido.

Na carta enviada à presidente do conselho da Tesla, Robyn Denholm, os acionistas afirmam que o tempo e a atenção de Musk foram desviados das operações da empresa, o que seria inconcebível para qualquer CEO de uma companhia de capital aberto. O próprio Musk teria admitido que mal consegue dedicar um único dia para se concentrar integralmente nas atividades da Tesla.

Propostas para recuperar o foco da liderança

Entre as solicitações, os investidores exigem que qualquer novo plano de remuneração para Elon Musk esteja condicionado à dedicação mínima de 40 horas semanais à empresa. Sugerem, inclusive, que essa carga horária poderia ser concentrada em três dias, deixando espaço para outras atividades de interesse do bilionário.

Para Tejal Patel, CEO do SOC Investment Group, uma das entidades por trás da carta, o objetivo é simples: garantir que Musk esteja efetivamente presente para liderar e supervisionar a Tesla. Mas as exigências não param por aí.

Um plano de sucessão e mais transparência

Os acionistas também defendem a criação de um plano de sucessão claro, caso Musk não esteja disponível. Não se trata de substituí-lo imediatamente, mas de estabelecer um protocolo que permita à Tesla seguir com sua estratégia caso algo imprevisto ocorra.

Esse plano deveria incluir a identificação de possíveis sucessores e um cronograma estratégico público de dois a cinco anos. A intenção é proteger a empresa de crises de liderança, como as que já afetaram outras gigantes do setor em situações inesperadas.

Acúmulo de funções e conflitos de interesse

Outra preocupação dos investidores é o envolvimento excessivo de Musk e outros membros do conselho em múltiplas empresas. A carta pede que o CEO da Tesla seja limitado a ocupar apenas um cargo executivo fora da companhia, para garantir foco total na gestão do negócio.

Além disso, eles propõem restrições semelhantes para os demais executivos e conselheiros, com o objetivo de minimizar conflitos de interesse. Essa proposta surge após anos em que o conselho da Tesla foi composto por figuras próximas a Musk, incluindo seu próprio irmão, Kimbal Musk.

Pressão por independência no conselho

As críticas dos investidores também miram a estrutura do próprio conselho de administração. Um dos pedidos mais enfáticos é a inclusão de ao menos um membro verdadeiramente independente, sem ligações prévias com Elon Musk ou outros conselheiros.

A preocupação ganhou força após a nomeação de Jack Hartung, ex-executivo da Chipotle e conhecido por seus laços profissionais com Kimbal Musk. A presença de aliados tão próximos levanta dúvidas sobre a imparcialidade do conselho, especialmente quando decisões sensíveis, como pacotes salariais bilionários, entram em pauta.

Os investidores citam como exemplo a controversa aprovação do bônus de Musk em 2018, avaliado em dezenas de bilhões de dólares, decidido por um conselho composto majoritariamente por amigos, colaboradores de longa data e familiares do próprio CEO. Para eles, chegou a hora de a Tesla priorizar o interesse da empresa e de seus acionistas — e não os interesses pessoais de seu homem mais poderoso.

[Fonte: Terra]

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