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Ciência

A cor do seu carro pode estar aquecendo a sua rua — e a ciência tem um suspeito

Mesmo parado, o carro influencia a temperatura ao redor. Pesquisadores mostraram que certos acabamentos retêm mais calor e o devolvem ao ambiente como uma “estufa de bolso”, intensificando ilhas de calor. A descoberta reacende um debate urbano: além de árvores e calçadas refletivas, o que estacionamos nas vias também altera o microclima.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Em grandes cidades, o calor extremo resulta de vários fatores combinados: pouco verde, muito concreto, poluição e superfícies que absorvem radiação solar. Um estudo recente amplia essa lista ao incluir a pintura automotiva como peça da equação térmica. Quando ficam sob sol forte por horas, carros podem funcionar como pequenas fontes de calor, sem emitir um grama a mais de poluentes. O ponto crítico está nas propriedades ópticas e térmicas da lataria — e na quantidade de veículos ocupando o espaço viário.

O que a pesquisa investigou

Publicado em 5 de agosto na revista City and Environment Interactions, o estudo simulou um cenário comum: dois carros — um claro e outro escuro — permaneceram mais de cinco horas sob sol direto. Em dia de 36 °C, os pesquisadores mediram a temperatura do ar ao redor, avaliando a contribuição térmica de cada veículo.

Por que a cor importa

Tintas escuras costumam refletir só de 5% a 10% da radiação solar, absorvendo o restante. Essa energia vira calor e é reemitida para o entorno. Como a carroceria usa chapas finas de aço ou alumínio, o aquecimento é rápido (e a liberação de calor, intensa). O carro claro, por refletir muito mais, interfere pouco na temperatura do ar próximo.

Quanto aquece na prática

No experimento, o veículo escuro elevou o microclima em até 3,8 °C após horas de insolação; o claro causou variação mínima. Diferentemente do asfalto, que é espesso e demora a aquecer, o carro esquenta depressa e devolve calor com eficiência — multiplicando o efeito quando há muitos automóveis parados.

Por que isso pesa nas cidades

Em metrópoles, carros estacionados podem ocupar até 10% da via. Em massa, funcionam como um “tapete” absorvedor e irradiador de calor, somando-se a telhados, calçadas e fachadas escuras. Em bairros densos e com pouco sombreamento, o impacto é maior, sobretudo nas horas de pico solar.

O que dá para fazer agora

  • Preferir cores claras na frota pública e em políticas de incentivo, replicando a lógica de telhados e pavimentos frios.

  • Sombreamento: árvores, pérgulas e coberturas em estacionamentos reduzem a absorção solar.

  • Gestão do espaço viário: restringir vagas em pontos críticos de calor e repensar áreas de espera ao ar livre.

  • Tecnologia veicular: veículos elétricos dissipam menos calor operacional que motores a combustão, contribuindo marginalmente para um microclima mais ameno.

A mensagem central é simples: além de infraestrutura e vegetação, a paleta de cores da cidade — incluindo a dos carros — também modela a temperatura que sentimos nas ruas.

Fonte: Metrópoles

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