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A escolha que poucos fariam: por que uma jovem decidiu continuar vivendo em um internato na universidade

Amanda Groschel, de 21 anos, vive em regime de internato desde a adolescência e decidiu manter esse estilo de vida mesmo ao ingressar na universidade. A rotina, as regras e os motivos por trás dessa decisão revelam uma realidade pouco conhecida — e nem sempre fácil —, que ela encara como um caminho de equilíbrio e propósito.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Para muitas pessoas, sair de casa e viver com liberdade é um dos maiores desejos ao entrar na faculdade. Mas para Amanda Groschel, a ideia de manter o estilo de vida vivido no internato durante a adolescência foi um alívio. Estudante de Psicologia em São Paulo, ela optou por seguir morando em um internato universitário por considerar essa rotina mais segura e benéfica para sua saúde mental e seu desenvolvimento pessoal.

O início da vida como interna

Amanda começou sua trajetória como interna ainda no ensino médio, em um colégio adventista no interior do Rio Grande do Sul. No começo, a distância da família e o ambiente rigoroso representaram um desafio. No entanto, com o tempo, ela se surpreendeu ao perceber o quanto se adaptou — e até se sentiu acolhida. Fez amizades, ganhou autonomia e aprendeu a lidar com regras e responsabilidades desde cedo.

Quando se formou, pensou que deixaria o internato para trás. Mas, ao ingressar na Universidade Adventista de São Paulo (UNASP), decidiu continuar nesse ambiente. Sua escolha não foi motivada por acaso: além de se sentir confortável com a rotina, Amanda encontrou no internato o suporte que considera essencial para manter sua estabilidade emocional.

“Algumas coisas do dia a dia são pesadas para mim por causa da saúde mental. Aqui eu tenho tudo: comida, dormitório, colegas por perto. Isso me ajuda demais”, explicou em entrevista.

A rotina e as regras no internato universitário

A experiência universitária de Amanda é bastante diferente da maioria dos jovens. O internato funciona com um pacote que inclui alimentação, moradia, internet, luz e água — tudo incluso no valor da mensalidade, que pode variar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, dependendo do tipo de quarto escolhido.

Os dormitórios são coletivos, divididos entre quatro ou cinco estudantes, com banheiro compartilhado. Há ainda a opção VIP, com mais privacidade, incluindo banheiro e cozinha individuais. Mesmo com as limitações, Amanda avalia o custo-benefício como positivo: “Compensa. A gente não se preocupa com nada do que é essencial”.

Por ser uma instituição cristã, o internato também impõe regras de conduta. Demonstrações públicas de afeto são proibidas, assim como o uso de roupas consideradas inadequadas, como shorts curtos ou tops. Há cultos diários, chamados de “sociais”, e pastores disponíveis no campus para aconselhamento. Embora a participação religiosa não seja obrigatória, há um sistema de registro de presença que reforça a cultura institucional.

Amanda reconhece que algumas pessoas julgam sua decisão de continuar em um internato, especialmente nas redes sociais, onde compartilha sua rotina. “Tem gente que acha que internato é como convento. Muita gente julga sem saber, mas não me incomodo em explicar. Para mim é uma experiência positiva, embora eu saiba que não é para todo mundo.”

Vantagens, desafios e convivência

Além da estrutura oferecida, Amanda destaca que o convívio com os colegas é uma das partes mais enriquecedoras — e desafiadoras — da vida no internato. Segundo ela, o respeito às diferenças e o diálogo constante são essenciais para manter a harmonia em um espaço compartilhado.

“Tem dias em que a gente precisa do próprio canto, e isso nem sempre é possível”, confessa. “Mas aqui eu aprendi muito sobre convivência, sobre não atrapalhar o outro e também sobre pedir ajuda quando preciso.”

Apesar de já ter pensado em sair, o medo da solidão e das obrigações cotidianas sem suporte pesaram mais. “Cheguei a cogitar morar fora, mas não consigo me ver sozinha. Aqui tudo é facilitado. Eu me organizo melhor e não fico sobrecarregada com tarefas básicas.”

Olhando para além dos muros

Mesmo vivendo em uma zona de conforto, Amanda tem consciência de que essa etapa tem prazo para acabar. Ela encara a vida no internato como um momento de preparação para o futuro, quando terá que lidar com mais autonomia.

“Sei que vou sair daqui um dia, mas ainda faltam cinco anos para terminar a faculdade. Não fico criando ansiedade sobre isso. Já tenho uma ideia: quero atuar como psicóloga, ter meu lugar para morar, e seguir com calma.”

Enquanto isso, ela aproveita a estrutura que o internato oferece e continua usando sua experiência para desmistificar a vida dos internos nas redes sociais. Para Amanda, o internato é um ambiente de acolhimento, rotina e desenvolvimento — um lugar onde ela aprendeu que, mesmo com regras rígidas, é possível encontrar liberdade para crescer.

[Fonte: Revista Marie Claire]

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