Mais de 10 mil estudantes estrangeiros correm o risco de serem expulsos dos EUA após um veto histórico à Universidade de Harvard. A medida, associada a acusações políticas, acendeu um alerta internacional sobre os rumos da educação e da diplomacia americana.
A seguir, entenda o que está em jogo e como o mundo reagiu.
Harvard sob ataque: o veto que paralisou o campus
O Departamento de Segurança Interna dos EUA suspendeu, de forma inédita, o direito de Harvard de emitir vistos para estudantes estrangeiros. A justificativa? Supostos laços com o Partido Comunista Chinês e a tolerância com manifestações políticas no campus.
A universidade tem agora 72 horas para fornecer informações sobre protestos estudantis recentes. Sem essa autorização, Harvard não poderá mais receber novos alunos internacionais no próximo ano acadêmico — uma medida que coloca em risco sua diversidade e modelo financeiro.
A reação dos países: indignação e diplomacia em alerta
China: o governo chinês classificou a decisão como “politização inaceitável” e alertou que ela prejudica a imagem internacional dos EUA. Com mais de 2 mil estudantes chineses em Harvard, Pequim promete defender seus cidadãos.
Japão: o porta-voz Yoshimasa Hayashi expressou “alta preocupação”, destacando que ele mesmo estudou em Harvard. O país teme que o veto afete os laços educacionais e diplomáticos com os EUA.
Austrália: o embaixador Kevin Rudd iniciou negociações com Washington e alertou sobre o impacto da medida para os mais de 100 estudantes australianos na instituição.
Alemanha: a ministra Dorothee Bär disse que a decisão “é um erro grave” e indicou que muitos estudantes europeus já estão considerando destinos alternativos fora dos EUA.

Estudantes em pânico e futuro incerto
Com mensalidades que ultrapassam US$ 87 mil por ano, milhares de famílias em todo o mundo veem seu investimento e o sonho educacional ameaçados. Muitos alunos temem perder o visto e serem deportados.
Karl Molden, da Áustria, já considera se transferir para Oxford, no Reino Unido. Alice Goyer, americana, resume o clima no campus: “Está todo mundo em pânico”.
Uma decisão política com alto custo internacional
Desde seu retorno à Casa Branca, Trump tem atacado universidades de elite, acusando-as de promoverem “antissemitismo” e “ideologias antiamericanas”. Mas especialistas veem a medida como um movimento político que enfraquece o soft power dos EUA.
Em vez de promover conhecimento e cooperação, os EUA correm o risco de se isolar academicamente — e perder o posto de destino preferido dos estudantes do mundo.