Pular para o conteúdo
Ciência

A Espanha está enfrentando um problema no trabalho que já começa a pesar na economia

Um fenômeno que parecia pontual ganhou força ao longo do ano e agora começa a pressionar empresas, trabalhadores e a própria economia espanhola.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Há um sinal preocupante por trás da rotina de milhões de trabalhadores na Espanha. Ao longo de 2025, as ausências do trabalho avançaram de forma consistente e atingiram níveis que chamaram a atenção de especialistas e empresas. Mas os números escondem uma realidade mais complexa do que simplesmente pessoas deixando de comparecer ao emprego. Por trás deles estão questões de saúde, envelhecimento da população ativa e mudanças no mundo do trabalho.

O número que revela uma mudança importante

A Espanha terminou 2025 com a maior taxa anual de absenteísmo laboral já registrada na série histórica. Segundo o indicador adiantado do XV Informe Adecco sobre Absentismo Laboral, 7,68% das horas de trabalho pactuadas não foram realizadas por diferentes motivos.

O resultado representa um aumento de 0,42 ponto percentual em relação ao ano anterior e deixa o país mais de dois pontos acima dos níveis observados antes da pandemia.

Na prática, isso significa que entre 1,6 milhão e 1,7 milhão de trabalhadores estiveram ausentes de seus postos diariamente ao longo de 2025. Cerca de 1,27 milhão dessas pessoas estavam afastadas por incapacidade temporária.

O dado mais importante, porém, está justamente nessa composição. O conceito de absenteísmo utilizado pelo estudo não corresponde apenas a faltas injustificadas ou a trabalhadores que simplesmente decidiram não ir trabalhar. As horas não trabalhadas incluem diferentes situações, e os afastamentos médicos representam atualmente uma parcela significativa do fenômeno.

No quarto trimestre, o cenário ficou ainda mais intenso. A taxa chegou a 7,88%, o maior nível trimestral registrado até agora. Apenas a incapacidade temporária alcançou 5,97%, indicando que os problemas relacionados à saúde têm um peso cada vez maior nas estatísticas.

Em média, cada trabalhador deixou de trabalhar 10,9 horas por mês por motivos relacionados ao absenteísmo.

Economia1
© Magnific

O problema vai muito além das faltas

A evolução dos números está sendo associada a vários fatores. Entre eles aparecem o envelhecimento da população economicamente ativa, o aumento dos problemas de saúde mental e a maior duração de determinados processos médicos.

Também existe uma relação importante entre o tipo de trabalho e a frequência das ausências. Atividades que exigem esforço físico, possuem menor flexibilidade e dependem fortemente da presença do funcionário tendem a apresentar índices mais elevados.

A indústria terminou 2025 com uma taxa de 8,34%, acima da média nacional. A construção ficou em 6,54%, enquanto os serviços registraram uma das maiores altas em relação ao ano anterior, com crescimento de 0,47 ponto percentual.

Em algumas atividades, a diferença é ainda mais impressionante. O setor de correios e atividades postais chegou a 13,28% de absenteísmo, praticamente o dobro da média espanhola.

Outro indicador reforça a dimensão do problema: as doenças profissionais que resultaram em afastamento cresceram 6,16% durante 2025. Mais de 80% delas estavam relacionadas a agentes físicos, especialmente movimentos repetitivos, sobrecarga corporal e posturas inadequadas, com forte impacto na indústria manufatureira.

O custo também já é expressivo. A estimativa do relatório aponta que o absenteísmo representou 59,109 bilhões de euros em 2025, equivalente a aproximadamente 3,7% do PIB espanhol.

Isso transforma uma questão aparentemente administrativa em um desafio muito maior. Para as empresas, significa reorganizar equipes, absorver custos e lidar com possíveis perdas de produtividade. Para os trabalhadores, mostra que manter uma força de trabalho saudável pode ser tão importante quanto contratar novos profissionais.

O recorde espanhol, portanto, não conta apenas uma história sobre quem esteve ou não no trabalho. Ele revela uma transformação mais profunda na relação entre saúde, condições de trabalho, organização das empresas e produtividade.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados