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Tecnologia

A falha interna que abriu as portas para um dos maiores ataques ao sistema financeiro do Brasil

Uma brecha interna em uma empresa que conecta bancos ao sistema do PIX permitiu um ataque cibernético de proporções bilionárias. Com suspeito preso, investigações revelam como senhas vendidas por R$ 5 mil resultaram em prejuízos que podem chegar a R$ 800 milhões — e o caso ainda está longe de encerrado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um dos ataques cibernéticos mais impactantes da história recente do Brasil foi desvendado com a prisão de um funcionário de confiança. O episódio não apenas expôs falhas em um elo essencial da infraestrutura bancária nacional, como acendeu o alerta sobre os riscos da digitalização financeira. A seguir, entenda como a ação ocorreu, quem está envolvido e o que pode mudar daqui para frente.

A origem do ataque e a prisão do suspeito

A falha interna que abriu as portas para um dos maiores ataques ao sistema financeiro do Brasil
© https://x.com/Heberobruto

Na última quinta-feira (3), a Polícia Civil de São Paulo prendeu João Nazareno Roque, acusado de colaborar diretamente com o ataque hacker que desviou centenas de milhões de reais de contas ligadas ao sistema PIX. Funcionário da C&M Software, empresa que atua como intermediária entre bancos menores e o Banco Central, ele teria vendido senhas para criminosos e ajudado a criar um sistema de desvio de valores.

Segundo as investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), João recebeu inicialmente R$ 5 mil por sua senha e, depois, mais R$ 10 mil para desenvolver uma estrutura digital que facilitasse os desvios. Ele relatou ainda que trocava de celular a cada 15 dias para evitar ser rastreado. A prisão aconteceu no bairro City Jaraguá, zona norte da capital paulista.

Imagens mostram o momento da prisão e revelam um perfil de trajetória incomum: ex-eletricista e técnico em TV a cabo, João ingressou na área de tecnologia aos 42 anos. Sua empresa, a C&M Software, afirmou estar colaborando com as investigações e adotou medidas técnicas para manter suas operações ativas.

Como o sistema foi invadido e o que está em jogo

O ataque, que afetou pelo menos seis instituições financeiras, se caracteriza como um “ataque à cadeia de suprimentos”, onde hackers acessam sistemas sensíveis por meio de credenciais privilegiadas de terceiros. Uma das empresas mais atingidas foi a BMP, que atua como fornecedora de infraestrutura para bancos digitais e perdeu, sozinha, R$ 541 milhões.

A C&M relatou que os invasores utilizaram senhas legítimas de seus próprios clientes para entrar nas plataformas de conectividade com o Banco Central. Isso permitiu a movimentação ilegal de valores em contas de reserva — contas mantidas por bancos junto ao BC, usadas para operações como o PIX. Estima-se que o ataque tenha causado prejuízos totais de até R$ 800 milhões.

O Banco Central determinou imediatamente o desligamento das instituições afetadas da infraestrutura operada pela C&M. No dia seguinte, a medida foi flexibilizada para uma suspensão parcial, mas a confiança no sistema foi abalada.

As consequências e o que pode mudar

A dimensão do ataque chamou atenção de especialistas e órgãos reguladores. Para Micaella Ribeiro, da IAM Brasil, o incidente deverá acelerar discussões no Banco Central e no Conselho Monetário Nacional sobre os riscos sistêmicos da digitalização bancária, especialmente no uso de empresas terceirizadas para operações críticas.

Até o momento, o BC não divulgou a lista completa das instituições atingidas, mas além da BMP, já se sabe que o Banco Paulista e a Credsystem estão entre os afetados. Uma conta com R$ 270 milhões foi bloqueada durante as investigações, e a polícia busca identificar outros envolvidos no esquema.

Apesar de o incidente não ter causado perdas diretas aos clientes das instituições, ele expôs vulnerabilidades sérias no ecossistema financeiro nacional. A confiança na infraestrutura digital — especialmente em plataformas intermediárias — será colocada à prova nos próximos meses.

Enquanto isso, especialistas reforçam a necessidade de reforçar as exigências de segurança para empresas que atuam como pontes entre bancos e o Banco Central. O caso é visto como um alerta definitivo para o setor: quando a falha vem de dentro, o prejuízo pode ser incalculável.

[Fonte: G1 – Globo]

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