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Tecnologia

Mais de 60% das crianças falam com desconhecidos na internet: um alerta urgente sobre riscos digitais na América Latina

Um estudo inédito em 15 países revela o grau de exposição de crianças e adolescentes a contatos perigosos, desafios virais e conteúdos inapropriados nas redes sociais e videogames. O relatório exige ações urgentes por parte de famílias, escolas, governos e plataformas digitais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O uso precoce da internet por crianças e adolescentes se tornou um fenômeno naturalizado na América Latina. Porém, um novo estudo da Red Grooming LATAM expôs dados alarmantes sobre os riscos que essa hiperconectividade traz. Contato com desconhecidos, propostas afetivas em jogos e desafios virais perigosos fazem parte do cotidiano digital dos jovens — muitas vezes sem supervisão ou consciência dos perigos envolvidos.

Crianças conectadas cada vez mais cedo

O relatório revela que 63% das crianças têm acesso ao primeiro celular aos 9 anos, e outros 28% antes disso. Com o celular em mãos, aumenta o tempo online: a maioria passa de 3 a 6 horas por dia em frente a telas, e muitos superam esse número.

Entre as plataformas mais usadas estão WhatsApp, TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e Discord. Já entre os jogos online, destacam-se Free Fire, Roblox, Minecraft, Fortnite e Call of Duty — todos com interações em tempo real com desconhecidos.

Conversas com desconhecidos: um hábito invisível

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© Freepik

O dado mais preocupante: 6 em cada 10 jovens afirmaram ter conversado com pessoas desconhecidas pela internet, seja em redes sociais ou em jogos. Para muitos, isso não representa perigo, mas sim uma prática comum do seu dia a dia digital.

Essa “normalização” do contato anônimo ocorre em espaços onde não há barreiras claras entre crianças e adultos, e geralmente sem mediação de responsáveis. O relatório destaca a importância de ferramentas de supervisão e educação digital ativa dentro das famílias e das escolas.

O que é grooming e por que preocupa

O grooming é definido como violência sexual sem contato físico praticada por adultos contra crianças e adolescentes por meio do ambiente digital. Hernán Navarro, diretor da ONG Grooming Argentina, alerta que se trata de uma das principais formas de violência digital contemporânea — e que a maioria dos jovens nem sabe o que é grooming.

A ausência de conhecimento sobre o tema compromete a capacidade de identificar situações de risco e dificulta qualquer forma de prevenção.

Propostas afetivas e jogos como porta de entrada

O relatório mostra que muitos jovens recebem propostas de namoro enquanto jogam online, geralmente de pessoas desconhecidas ou adultos que se passam por crianças. Esses “romances digitais” podem ser a porta de entrada para manipulações emocionais graves.

Segundo os autores do estudo, não se trata de ridicularizar o amor digital, mas de não ignorá-lo, já que esses vínculos acontecem em contextos sem regras claras e com validação imediata.

Desafios virais e exposição a riscos

Mais de 60% dos entrevistados já participaram de desafios virais, alguns dos quais envolvem autolesões ou comportamentos perigosos, como o “desafio da asfixia” ou o “jogo da baleia azul”. Esses desafios circulam livremente nas redes sociais e atingem principalmente crianças em busca de pertencimento.

Sexting, pornografia e inteligência artificial

Outro dado alarmante é o aumento do sexting entre menores, inclusive em idades precoces. O acesso à pornografia também é comum, seja por curiosidade, recomendação de colegas ou incidentes acidentais.

Além disso, o relatório identificou uso de inteligência artificial para criar montagens pornográficas com rostos de crianças. Muitas vezes, essas imagens são criadas por colegas que não compreendem a gravidade do ato, mas causam danos emocionais profundos e irreversíveis.

Falta de educação digital e brechas entre gerações

Grande parte das crianças não entende o conceito de identidade digital, o que aumenta o risco de exposição e roubo de dados. Além disso, muitos acreditam saber mais que seus pais sobre tecnologia, mas isso não garante segurança digital — apenas uma falsa sensação de controle.

Essa desconexão geracional é um obstáculo: os adultos muitas vezes não têm preparo para acompanhar ou orientar digitalmente seus filhos.

O chamado à ação: educação e responsabilidade compartilhada

A Red Grooming LATAM propõe uma abordagem de direitos, e não de proibição, defendendo a inclusão da educação digital crítica nas escolas e nas famílias, com apoio dos Estados e das plataformas online.

Formar cidadãos digitais não é opcional: é urgente”, conclui o relatório. Proteger crianças e adolescentes exige ações coletivas, com presença ativa de adultos, regulamentação eficaz e sistemas educacionais atualizados.

A infância latino-americana está imersa em um ambiente digital que exige competências e proteções que ainda não foram garantidas. E sem mudanças estruturais, o espaço virtual continuará sendo um território de risco para os mais jovens.

 

Fonte: Infobae

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