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Tecnologia

A Grécia prepara uma mudança radical na defesa aérea — e o projeto custa bilhões

Uma nova arquitetura de defesa promete conectar radares, centros de comando e diferentes tipos de interceptores para enfrentar ameaças que vão de drones a mísseis balísticos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Drones baratos, mísseis de cruzeiro e armas balísticas estão mudando a forma como os países pensam em defesa aérea. Para responder a esse cenário, a Grécia decidiu abandonar a ideia de sistemas isolados e apostar em uma arquitetura muito mais ampla, capaz de detectar, compartilhar informações e reagir a diferentes ameaças. O projeto envolve bilhões de dólares e uma tecnologia desenvolvida por um importante parceiro internacional.

Uma rede de defesa em várias camadas

O projeto grego recebeu o nome de Achilles Shield e representa uma transformação profunda na maneira como o país pretende proteger seu território. Em vez de simplesmente adquirir novas baterias antiaéreas, Atenas quer conectar radares, lançadores, sensores e centros de comando em uma única estrutura coordenada.

O acordo firmado com Israel está avaliado em aproximadamente 3,035 bilhões de euros, o equivalente a cerca de US$ 3,5 bilhões. É considerado o maior acordo de exportação militar da história das relações entre os dois países.

A arquitetura terá três sistemas principais: David’s Sling, BARAK MX e SPYDER. Cada um ocupará uma camada diferente e será empregado contra determinados tipos de ameaça.

O David’s Sling ficará entre as capacidades mais avançadas do conjunto, com foco em ameaças como mísseis balísticos táticos, mísseis de cruzeiro e foguetes de maior alcance.

Já o BARAK MX oferece uma estrutura modular capaz de utilizar diferentes interceptores conforme a distância e o tipo de alvo. O sistema pode combater aeronaves, drones, mísseis de cruzeiro e algumas ameaças balísticas.

O SPYDER completa a arquitetura com uma camada voltada principalmente para alvos aéreos de menor alcance, incluindo aeronaves, helicópteros, drones e munições guiadas.

A grande diferença, porém, não está apenas nos equipamentos. Está na maneira como eles serão conectados.

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© Oğuzhan Atik – Youtube

Os radares serão os olhos do novo escudo

Para que todas essas peças funcionem como um único sistema, a Grécia também receberá radares MMR, produzidos pela ELTA Systems. Eles serão responsáveis por detectar e acompanhar simultaneamente numerosos alvos.

A informação coletada será integrada a um novo sistema nacional de comando e controle desenvolvido pela Rafael. Na prática, isso significa que a detecção feita por um radar poderá ser compartilhada rapidamente com outros elementos da rede, mesmo que estejam a quilômetros de distância.

Essa integração é justamente o coração do Achilles Shield. Em vez de operar com diferentes sistemas que enxergam o espaço aéreo separadamente, a proposta é criar uma imagem comum da situação.

Assim, o sistema poderá avaliar qual ameaça representa maior risco e direcionar o interceptor mais adequado para cada caso.

Há ainda uma preocupação específica com drones pequenos. Um contrato adicional de aproximadamente 26 milhões de euros prevê a aquisição de sistemas Drone Dome, também da Rafael, para proteger instalações estratégicas.

A lógica é simples: não faz sentido utilizar um interceptor sofisticado e caro contra um pequeno drone. O Drone Dome combina radares, sensores eletro-ópticos e guerra eletrônica para identificar e neutralizar ameaças menores.

O projeto faz parte de uma modernização muito maior

O Achilles Shield não é uma iniciativa isolada. Ele integra um programa mais amplo de modernização das Forças Armadas gregas, que prevê investimentos de aproximadamente 28 bilhões de euros até 2036.

O plano inclui até 40 caças F-35, novas fragatas e outras capacidades militares. A intenção é atualizar diferentes áreas da defesa ao mesmo tempo, diante de um ambiente estratégico cada vez mais complexo.

O projeto também terá participação da indústria grega. Segundo o Ministério da Defesa do país, 19 empresas gregas já estão envolvidas nos processos relacionados ao Achilles Shield. O acordo prevê ainda transferência de conhecimento e cooperação tecnológica.

A comparação com o chamado Golden Dome dos Estados Unidos pode ajudar a entender a filosofia do projeto, embora não seja uma versão grega do sistema americano. A ideia central é semelhante: criar múltiplas camadas de proteção conectadas, capazes de responder de maneira diferente conforme o tipo de ameaça.

No fim, a mudança mais importante pode ser menos visível do que os próprios mísseis e radares. A Grécia está tentando transformar sua defesa aérea em uma única rede, na qual sensores, centros de comando e interceptores compartilham informações em tempo real.

E é justamente essa integração que pode definir o verdadeiro alcance do novo escudo.

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