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Tecnologia

Você deixaria um robô procurar sua veia e fazer sua próxima coleta?

Encontrar a veia, posicionar a agulha e coletar os tubos parece uma tarefa exclusivamente humana. Mas uma nova máquina está colocando essa ideia à prova.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Para muita gente, a coleta de sangue é um procedimento rápido, mas nem sempre simples. Encontrar uma veia adequada pode exigir experiência, precisão e, em alguns casos, mais de uma tentativa. Agora, uma tecnologia desenvolvida na Europa está automatizando justamente essa parte delicada do atendimento. E o mais curioso é que ela não apenas ajuda a localizar o vaso: consegue conduzir praticamente todo o procedimento sozinha.

Antes da agulha, vem a parte mais difícil

O grande desafio de uma coleta não está apenas em inserir a agulha. Primeiro é preciso encontrar uma veia adequada, avaliar sua posição e profundidade e ter certeza de que o vaso identificado não é uma artéria.

É justamente aí que entra Aletta, um sistema robótico desenvolvido pela empresa neerlandesa Vitestro.

A máquina combina diferentes tecnologias para localizar os vasos sanguíneos. Primeiro, utiliza luz infravermelha próxima para visualizar a rede vascular. Depois, emprega ultrassom e Doppler para analisar com maior precisão a localização e a profundidade do vaso.

O sistema também pode decidir não prosseguir quando não encontra uma veia que considere adequada. Se a condição for favorável, começa então uma sequência praticamente automatizada.

O robô posiciona o torniquete, prepara e desinfeta a pele, introduz a agulha e começa a coleta. Depois, pode trocar os tubos necessários, retirar a agulha e descartá-la, além de colocar um curativo.

A tecnologia recebeu autorização da FDA dos Estados Unidos em 19 de agosto de 2026, pela via De Novo. A decisão permite sua comercialização no país como o primeiro dispositivo robótico independente autorizado nos EUA para realizar uma coleta de sangue do braço sem intervenção manual durante o procedimento.

Isso não significa, porém, que os profissionais de saúde deixem de participar.

Os números mostram por que a tecnologia chamou atenção

Aletta ainda precisa ser utilizada sob supervisão de um profissional treinado em flebotomia. Esse especialista inicia cada procedimento, permanece disponível caso alguma coisa dê errado e verifica posteriormente se os tubos foram preenchidos corretamente.

A proposta, portanto, não é simplesmente substituir o profissional, mas permitir que uma única pessoa consiga supervisionar vários equipamentos. A autorização americana permite que um profissional acompanhe até três dispositivos Aletta simultaneamente.

Os resultados clínicos ajudam a explicar o interesse pela tecnologia.

No estudo multicêntrico ADOPT, realizado com 1.633 pacientes em três serviços ambulatoriais dos Países Baixos, o robô conseguiu concluir a coleta na primeira tentativa em 94,5% dos procedimentos nos quais encontrou um acesso venoso adequado.

O desempenho também permaneceu elevado entre grupos considerados mais difíceis de puncionar. Entre pacientes que relataram ter acesso venoso complicado, a taxa de sucesso inicial foi de 92,7%. Entre pessoas com mais de 65 anos, chegou a 93,4%.

Os efeitos adversos relacionados ao dispositivo ocorreram em 0,6% dos casos e foram classificados como leves. Além disso, 90% dos participantes afirmaram ter sentido dor semelhante ou menor do que em uma coleta convencional.

Ainda existe um humano por perto

A autonomia da máquina também tem limites importantes. Se o paciente movimentar excessivamente o braço durante o procedimento, a agulha pode se desacoplar automaticamente e a coleta é interrompida. Sensores adicionais também conseguem pausar o processo e alertar o profissional diante de uma possível situação de risco.

Aletta já possui marcação CE e começa a entrar gradualmente em uso clínico e pré-comercial na Europa. Depois da autorização nos Estados Unidos, a Vitestro pretende ampliar a produção e iniciar uma implantação gradual no mercado americano.

Portanto, ainda está longe o cenário em que alguém entra em um laboratório e entrega completamente uma coleta de sangue a uma máquina sem nenhum profissional por perto.

Mas a fronteira já mudou. A tarefa que durante décadas dependeu quase exclusivamente da habilidade de uma pessoa agora pode ser dividida entre humano e robô — desde a busca pela veia até o preenchimento dos tubos.

E isso pode transformar uma das intervenções médicas mais comuns em um dos primeiros procedimentos de rotina a entrar de verdade na era da robótica autônoma.

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