De pioneira no pouso lunar no polo sul a parceira estratégica da NASA, a Índia vive um momento histórico no espaço. Com missões bem-sucedidas, cooperação internacional e tecnologia própria, o país projeta uma presença cada vez maior fora da Terra. Agora, o plano inclui conquistar Marte, explorar Vênus, recolher amostras lunares e erguer uma estação espacial que marque sua ascensão definitiva como potência cósmica.
Conquistas que mudaram o jogo

O marco mais emblemático veio em 23 de agosto de 2023, quando a missão Chandrayaan-3 pousou perto do polo sul da Lua, feito inédito no mundo. O módulo Vikram realizou experimentos inéditos, enquanto o módulo de propulsão foi redirecionado para a órbita terrestre para uso prolongado.
Em janeiro de 2025, a ISRO — Organização Indiana de Pesquisa Espacial — celebrou seu centésimo lançamento, colocando um satélite de navegação em órbita com tecnologia criogênica nacional.
NISAR: colaboração que redefine a observação da Terra
Em 30 de julho de 2025, Índia e Estados Unidos lançaram o NISAR, um radar de abertura sintética avaliado em mais de US$ 13 bilhões. A bordo do foguete indiano GSLV F-16, o satélite monitora mudanças na superfície terrestre com precisão de até um centímetro.
O NISAR é capaz de mapear deformações do solo, retração de geleiras, movimentos de placas tectônicas e impactos da expansão urbana. Seus dados serão atualizados a cada 12 dias, em qualquer condição climática, tornando-o uma ferramenta crucial para prevenção de desastres e gestão ambiental.
O salto tripulado com a missão Akash Ganga
Outro momento histórico ocorreu quando o Capitão de Grupo Shubhanshu Shukla passou 18 dias na Estação Espacial Internacional como piloto da missão multinacional Axiom-4. Foi o primeiro voo espacial tripulado indiano desde 1984.
A missão abriu caminho para o programa Gaganyaan, que prevê lançar, até 2027, um astronauta a partir de solo indiano, com tecnologia e foguetes desenvolvidos no país.
Visão para 2035 e 2040
O primeiro-ministro Narendra Modi traçou metas ousadas: colocar em órbita a Bhartiya Antariksha Station até 2035 e levar um astronauta indiano à Lua até 2040. A Índia se juntaria assim a um seleto grupo formado por Rússia, EUA e China, únicos países com capacidade de voos tripulados independentes à Lua.
Raízes do legado lunar
Desde a Chandrayaan-1, em 2008, a Índia já deixou sua marca na história lunar, detectando moléculas de água na superfície e registrando imagens de artefatos das missões Apollo. Com a Chandrayaan-2 e a Chandrayaan-3, consolidou-se como referência em missões precisas, eficientes e de custo reduzido.
Indústria espacial em expansão
Mais de 250 startups integram hoje o ecossistema espacial indiano, incluindo Agnikul Cosmos, Skyroot Aerospace e Pixxel Aerospace. Um estudo recente indica que cada dólar investido no setor retorna US$ 2,52 à economia. Atualmente, mais de 50 satélites indianos estão ativos, sustentando aplicações que vão da agricultura à defesa.
O ministro da Ciência, Jitendra Singh, prevê que a economia espacial nacional, hoje avaliada em US$ 8 bilhões, ultrapasse US$ 40 bilhões até 2040.
Próximas missões
A agenda inclui a Chandrayaan-4 para recolher amostras lunares, uma missão a Vênus e o desenvolvimento de um novo foguete de alta potência. O lançamento de um módulo espacial em 2028 servirá como ensaio para a futura estação espacial indiana.
Se o cronograma for cumprido, a Índia não apenas alcançará novos mundos, mas consolidará um modelo de exploração espacial eficiente, de baixo custo e com enorme retorno científico e econômico.
[ Fonte: Infobae ]