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Tecnologia

A jogada bilionária da Meta: Aos 28 anos, um jovem executivo se torna o centro de uma aquisição que pode moldar o próximo capítulo da inteligência artificial

Um investimento gigantesco reacende uma tendência que parecia ter ficado no passado: pagar bilhões não por produtos, mas por pessoas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Vale do Silício está acostumado a grandes cifras, mas a mais nova movimentação da Meta chama atenção por resgatar uma prática que havia perdido força: o acquihire. Em vez de adquirir apenas uma tecnologia, a Meta estaria pagando bilhões para garantir o talento de um jovem empreendedor que pode ser peça-chave na disputa pela liderança da inteligência artificial global.

Uma aposta de bilhões em uma mente jovem

A jogada bilionária da Meta: Aos 28 anos, um jovem executivo se torna o centro de uma aquisição que pode moldar o próximo capítulo da inteligência artificial
© https://x.com/ProyectoHygge

Alexandr Wang, aos 28 anos, é o fundador da Scale AI, empresa especializada em fornecimento de dados para treinar sistemas de inteligência artificial. A Scale já trabalha com gigantes como OpenAI e a própria Meta. Agora, segundo reportagens, Mark Zuckerberg estaria disposto a pagar cerca de US$ 15 bilhões por 49% da Scale — um valor que, além de dobrar a avaliação anterior da empresa, marca uma das maiores transações do tipo na história.

Na prática, especialistas apontam que a Meta está menos interessada nos produtos da Scale e mais no próprio Wang e sua equipe. É o que o analista Ben Thompson definiu como “uma acquihire caríssima”. Esse tipo de operação, em que o principal objetivo é trazer talentos estratégicos para dentro da empresa, era comum no início da década passada, mas havia sido reduzido devido a pressões regulatórias.

Com a ascensão da IA, no entanto, a corrida por cérebros reacendeu esse modelo. Microsoft e Google já fizeram movimentos similares. Agora, é a vez da Meta apostar alto em um nome ainda pouco conhecido do público, mas valorizado internamente por sua habilidade de promover empresas e articular estratégias tecnológicas.

O perfil que atrai os gigantes da tecnologia

Wang não é um cientista de IA clássico. Seu diferencial está na visão estratégica, na capacidade de liderança e na habilidade de posicionar sua empresa no centro das atenções. Segundo o Financial Times, ele é mais gestor do que pesquisador, e isso parece agradar Zuckerberg, que planeja colocá-lo à frente de um novo laboratório de IA dentro da Meta, com liberdade para atrair outros talentos de peso.

Há quem questione se o valor investido se justifica, já que parte dos US$ 15 bilhões pode ser adiantamento por futuros serviços da Scale. Ainda assim, o movimento é visto como simbólico: a Meta quer garantir que Wang e seu time permaneçam sob sua influência, como a Apple fez ao adquirir a Beats para manter Jimmy Iovine por perto — mais pelo cérebro do que pelos produtos.

Um futuro incerto, mas promissor

A Meta já viveu histórias semelhantes antes: os fundadores do Instagram e do WhatsApp, após vendas multimilionárias, deixaram a empresa. Hoje, alguns deles estão em startups rivais no campo da IA. Esse histórico levanta dúvidas sobre a permanência de Wang a longo prazo.

Mesmo assim, poucos players no mercado têm os recursos para fazer apostas dessa magnitude. Se Zuckerberg estiver certo e a inteligência artificial for realmente o centro da próxima revolução tecnológica, o investimento em Wang pode se mostrar visionário.

Enquanto isso, outro nome conhecido da tecnologia também está prestes a entrar para o clube dos bilionários. Jony Ive, criador do design do iPhone, teve sua nova empresa adquirida pela OpenAI por US$ 6,5 bilhões em ações. Com cerca de 11% da startup io, Ive deve embolsar uma participação estimada em US$ 715 milhões, consolidando mais um caso em que talento pesa tanto quanto qualquer produto.

[Fonte: Exame]

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