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Ciência

A luz que pode acabar com suas alergias: descoberta científica promete revolucionar ambientes fechados

Pesquisadores descobriram que a luz ultravioleta pode alterar proteínas responsáveis por alergias no ar, como as emitidas por gatos e ácaros. Essa técnica não elimina os agentes, mas os torna inofensivos ao sistema imunológico, oferecendo uma alternativa rápida e eficaz aos métodos tradicionais de limpeza.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Quem sofre de alergias conhece a frustração: mesmo após limpar casas, tapetes e roupas de animais, os sintomas persistem. Um estudo recente da Universidade do Colorado Boulder mostra que a luz ultravioleta UV222 pode transformar proteínas alergênicas em formas que o corpo não reconhece, oferecendo uma solução inovadora para reduzir espirros, coceira e ataques de asma em ambientes fechados.

Como funcionam as alergias

A alergia não é causada pelo animal ou objeto em si, mas por proteínas que eles liberam. Por exemplo, gatos produzem a proteína Fel d1, presente na saliva e na pele. Quando essas partículas se tornam aéreas, o sistema imunológico cria anticorpos que se ligam à proteína e desencadeiam a reação alérgica.

Por isso, mesmo após meses sem contato direto com gatos, tapetes e móveis ainda podem provocar sintomas. Métodos tradicionais como aspiração, lavagem e filtros ajudam, mas são trabalhosos e difíceis de manter.

Transformando proteínas com luz UV

A pesquisadora Tess Eidem e sua equipe descobriram que, em vez de eliminar essas proteínas, é possível alterar sua estrutura para que o sistema imunológico não as reconheça. Eles comparam o processo ao origami de uma proteína: se a proteína muda de forma, o corpo deixa de reagir.

Esse tratamento é passivo e geralmente seguro, podendo ser aplicado em casas, escolas e outros ambientes fechados, desativando rapidamente os agentes alergênicos.

Luz UV222: segura e eficiente

A luz ultravioleta já é usada para desinfecção em hospitais, mas geralmente com 254 nanômetros, que exige proteção. A novidade está na UV222, menos intensa e mais segura para pessoas, pois não penetra profundamente nas células.

Nos experimentos, pequenas lâmpadas UV222 reduziram o reconhecimento imunológico de alérgenos em 20 a 25% em apenas 30 minutos, dependendo do tipo de proteína e do ambiente. Em testes de 40 minutos, a proteína Fel d1 diminuiu 61%, um resultado rápido se comparado a meses de limpeza tradicional.

Aplicações e futuro

Embora existam lâmpadas UV222 industriais, o objetivo é criar dispositivos portáteis para uso pessoal, como visitas a casas com animais. Eidem destaca que essa tecnologia pode salvar vidas, já que ataques de asma relacionados a alergias aéreas matam cerca de 10 pessoas por dia nos EUA.

Com essa descoberta, a luz ultravioleta se mostra não apenas um recurso de limpeza, mas uma ferramenta preventiva poderosa, capaz de reduzir alergias de forma prática e segura em ambientes cotidianos.

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