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Tecnologia

A Mercedes quer mudar uma das maiores tendências dos carros modernos

Durante anos, os botões foram desaparecendo dos carros em nome de uma experiência mais digital. Agora, uma das marcas mais sofisticadas do mundo começa a reconsiderar essa escolha.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Por alguns anos, parecia que o interior do carro do futuro seria inevitavelmente dominado por telas. Quanto maior o display, mais moderno parecia o veículo. Funções que antes tinham um botão ou uma roda passaram para menus digitais, acompanhando a transformação do automóvel em uma espécie de computador sobre rodas. Só que existe um detalhe difícil de ignorar: enquanto a tecnologia avançava, o motorista precisava olhar cada vez mais para ela.

Quando o painel virou praticamente uma grande tela

A transformação foi especialmente evidente nos modelos mais sofisticados da Mercedes-Benz. A marca alemã apostou pesado na digitalização dos interiores, criando painéis que parecem ter saído diretamente de um conceito futurista.

O MBUX Hyperscreen é provavelmente o exemplo mais conhecido. O enorme conjunto de telas ocupa grande parte do painel e concentra funções como navegação, entretenimento, climatização e diversas configurações do veículo.

A lógica parecia irresistível: se uma tela consegue substituir dezenas de botões, por que manter tantos comandos físicos?

O problema é que um botão tradicional tem uma característica que uma tela não oferece da mesma maneira: ele pode ser encontrado pelo tato.

Depois de algum tempo dirigindo o mesmo carro, o motorista sabe onde está o controle do volume, da temperatura ou de determinada função. Não é necessário procurar visualmente. Basta estender a mão e girar, apertar ou pressionar.

Com uma interface totalmente digital, a situação muda. O comando pode estar dentro de um menu, mudar de posição ou exigir mais de um toque. E isso significa desviar os olhos da estrada.

Foi justamente nesse ponto que a própria Mercedes começou a rever sua estratégia.

A tecnologia não precisa substituir tudo

O CEO da Mercedes-Benz, Ola Källenius, resumiu o momento de mudança ao afirmar que a indústria pode ter chegado ao “mínimo de botões”.

A declaração não significa que as enormes telas serão abandonadas. Muito pelo contrário. A empresa continua apostando fortemente em sistemas digitais e interfaces cada vez mais sofisticadas.

A mudança está em outro lugar: reconhecer que algumas funções simplesmente funcionam melhor quando possuem um comando físico.

A Mercedes já começou a recuperar controles tradicionais em determinados volantes e pretende ampliar essa abordagem para funções utilizadas com frequência durante a condução.

É uma espécie de correção de rota. Depois de tentar transformar praticamente tudo em uma experiência digital, a fabricante percebeu que modernidade e ausência de botões não são necessariamente sinônimos.

Também existe uma questão de segurança. Uma função que exige atenção visual durante vários segundos pode representar um problema muito maior do que um simples inconveniente.

A diferença parece pequena, mas é importante: o motorista consegue operar um botão conhecido sem necessariamente olhar para ele. Uma tela, por outro lado, normalmente exige localizar visualmente o comando e confirmar a ação.

A Mercedes não é a única a repensar o interior dos carros

Essa mudança de direção não acontece apenas em Stuttgart.

A Volkswagen já havia anunciado o retorno de controles físicos em algumas funções depois das críticas relacionadas aos seus interiores excessivamente dependentes de telas sensíveis ao toque.

Ao mesmo tempo, organizações de segurança passaram a prestar mais atenção à questão. O Euro NCAP, por exemplo, endureceu seus critérios e considera relevante que determinados comandos essenciais sejam fáceis de localizar e operar.

Entre eles estão funções como setas, luzes de emergência, buzina, limpadores de para-brisa e chamada de emergência eCall.

Os fabricantes não precisam obrigatoriamente seguir todas essas recomendações, mas elas podem influenciar diretamente a avaliação de segurança dos veículos e, consequentemente, a tão desejada classificação de cinco estrelas.

A mudança representa uma curiosa inversão de tendência. Durante anos, a indústria automobilística tentou descobrir quantos botões poderia retirar do painel sem prejudicar a experiência.

Agora, a pergunta parece ser outra: quais comandos eram úteis demais para desaparecer?

A Mercedes não está abandonando suas telas gigantes nem desistindo dos sistemas digitais. A empresa está apenas reconhecendo um princípio que pode parecer óbvio, mas que acabou sendo deixado de lado na corrida pela inovação: no volante, a melhor tecnologia nem sempre é a mais futurista.

Às vezes, é simplesmente aquela que permite fazer o que você precisa sem tirar os olhos da estrada.

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