A Quartz Intelligence Newsroom, ferramenta de geração de notícias por IA, já publicou 20 matérias só hoje. Para isso, digere notícias de diversas fontes, incluindo afiliadas locais, Reuters e transmissões da NPR, antes de regurgitar tudo em uma forma insossa. Algumas dessas fontes também são geradas por IA. Ou seja, lixo de IA está consumindo lixo de IA para produzir mais lixo de IA. Um verdadeiro ecossistema de informação que estamos construindo, pessoal.
Conforme relatado inicialmente pela Aftermath, o Quartz é uma das últimas joias restantes do império G/O Media. O site de negócios, que já contou com jornalistas vindos do The New York Times, Wall Street Journal e Bloomberg, agora apenas escaneia o trabalho dessas publicações, junta tudo em algo que lembra uma notícia usando uma máquina e despeja na internet.
A G/O Media (que foi dona do Gizmodo de 2019 até junho de 2024) aposta em IA para fazer mais com menos. Jornalistas custam dinheiro. Nós gostamos de comer e pagar aluguel, mas os investidores da G/O preferem não gastar com isso. Então, decidiram ligar os robôs, acreditando que eles poderiam fazer nosso trabalho mais rápido e mais barato.
Por meses, a Quartz Intelligence Newsroom limitou-se a produzir resumos genéricos de relatórios financeiros no estilo do ChatGPT. Mas, recentemente, começou a escrever artigos de opinião e matérias noticiosas. Em 23 de janeiro, publicou seu primeiro grande sucesso: transformou dois artigos sobre declarações de Larry Fink em Davos em uma matéria. Em seguida, escreveu duas vezes a mesma notícia sobre os novos celulares da Samsung, apenas com títulos diferentes.
Para seu pequeno crédito, a máquina de notícias do Quartz não finge ser algo que não é. Sob cada artigo, aparece o aviso:
“A Quartz Intelligence Newsroom usa inteligência artificial generativa para reportar sobre tendências de negócios. Esta é a primeira fase de uma nova versão experimental de reportagens. Embora busquemos precisão e pontualidade, devido à natureza experimental desta tecnologia, não podemos garantir que sempre seremos bem-sucedidos.”
Além disso, fornece links para as fontes utilizadas no início de cada artigo — uma lista de conteúdos que você provavelmente deveria ler em vez da matéria do Quartz.
Hoje, por exemplo, publicou um perfil de Liang Wenfeng, fundador da DeepSeek. Suas fontes foram artigos da BBC e da Forbes sobre o modelo LLM, uma matéria do site italiano FIRSTOnline e outra do portal Devdiscourse.
Conforme apontado pelo portal Futurism, o Devdiscourse é, ele mesmo, uma fazenda de conteúdo gerado por IA. O site parece legítimo à primeira vista, mas a autoria das matérias, assinadas por “Devdiscourse News Desk“, é marcada por um volume alarmante de textos aparentemente colados de outras fontes e acompanhados de imagens geradas por IA.
Sob a manchete “Migrantes colombianos retornam em meio a tensões com os EUA”, aparece a imagem de um casal sorridente caminhando na praia com malas. O homem veste uma camisa com uma tentativa falha da bandeira colombiana, com as cores todas erradas.
O próprio site esclarece:
“Esta imagem foi gerada por IA e não retrata nenhum evento ou local real. É uma representação fictícia criada apenas para fins ilustrativos.”
Valeu, Devdiscourse, eu jamais teria percebido.
A redação de IA do Quartz está raspando fontes legítimas, misturando com conteúdo duvidoso gerado por IA e produzindo seu próprio lixo automatizado. Um ciclo interminável de porcaria digital.