A presença de água no cosmos sempre foi um tema central na busca pela vida extraterrestre. Até recentemente, os cientistas acreditavam que ela não poderia ter se formado nos primórdios do universo. No entanto, um estudo publicado na revista Nature Astronomy sugere que a água pode ter surgido entre 100 e 200 milhões de anos após o Big Bang, muito antes do que se imaginava.
Explosões estelares e a formação inesperada da água
Pesquisadores da Universidade de Portsmouth realizaram simulações computacionais para entender como a água poderia ter se formado no início do universo. O estudo analisou a explosão de supernovas de diferentes tamanhos:
- Uma estrela com 13 vezes a massa do Sol.
- Uma estrela massiva de 200 vezes a massa do Sol.
As simulações revelaram que, durante essas explosões, quantidades significativas de oxigênio foram geradas. Ao se resfriarem e se combinarem com o hidrogênio residual presente no espaço, essas partículas formaram moléculas de água em estado gasoso. Esse processo teria criado água muito mais cedo do que as teorias anteriores sugeriam.
A formação de planetas habitáveis no início do universo
Outro achado intrigante do estudo foi a presença de discos densos contendo água ao redor dessas supernovas. Esses discos são similares aos discos protoplanetários que dão origem a planetas. Isso sugere que a água pode ter desempenhado um papel fundamental na formação de planetas primitivos muito antes do que se acreditava.
Os pesquisadores também destacam que, apesar da intensa radiação estelar, o pó cósmico pode ter protegido a água em algumas regiões, aumentando suas chances de sobrevivência ao longo do tempo.
Quanto de água foi criado?
As simulações indicam que a quantidade de água formada variava conforme o tamanho da supernova:
- Em estrelas de 13 massas solares, formou-se entre 30 e 90 milhões de anos após a explosão, com volumes equivalentes a uma milionésima parte da massa do Sol.
- Em supernovas de 200 massas solares, aproximadamente 0,001 massas solares de água se formaram em apenas 3 milhões de anos.
Embora pareçam quantidades pequenas, esses dados indicam que a água poderia ter sido muito mais comum no universo primitivo do que pensávamos.
O impacto dessa descoberta na ciência
Se confirmado, esse estudo pode mudar radicalmente nossa compreensão sobre a evolução química do universo e a possibilidade de vida extraterrestre. A existência de água nas primeiras fases do cosmos pode ter influenciado a formação de galáxias e sistemas planetários, possibilitando ambientes habitáveis muito antes do que imaginávamos.
Agora, o próximo passo dos cientistas é buscar evidências observacionais desse fenômeno. O Telescópio Espacial James Webb e outras missões futuras poderão ajudar a verificar se de fato há vestígios de água nas regiões mais distantes e antigas do universo.
O que antes era considerado um elemento raro no início do cosmos agora pode se revelar uma das substâncias mais abundantes, reescrevendo o que sabemos sobre a história do universo e, possivelmente, sobre a origem da vida.