O que antes era apenas uma travessia funcional se tornou um dos maiores atrativos do litoral paranaense. A ponte que liga o centro histórico de Paranaguá à Ilha dos Valadares foi completamente repaginada por uma intervenção artística que, além de chamar atenção pelas cores, também mexeu com a autoestima dos moradores e com o cenário turístico da cidade.
A ponte que deixou o cinza para trás
Finalizada em 1º de maio de 2025, a revitalização da passarela de 294 metros de extensão transformou a paisagem urbana. Batizada informalmente de “a ponte mais colorida do mundo”, a obra recebeu cerca de 1,5 mil metros quadrados de pintura, com grafismos inspirados na cultura caiçara e elementos da natureza local, como caranguejos e manguezais.
A iniciativa surgiu por meio do “Projeto Andada”, criado pelo coletivo Paranaguá Mais Cores, que mobilizou cerca de 300 pessoas entre artistas e moradores. Os mutirões, realizados entre abril e maio, incluíram pintura noturna para não interromper o fluxo de pedestres e ciclistas, além de ações de limpeza e atividades culturais.
É pra curtir, comentar e compartilhar com todos que nós fizemos A PONTE MAIS COLORIDA DO MUNDO!
em Paranaguá – PR 💟
Obrigado a toda equipe, apoios, artistas, voluntários, produção, comunicação e principalmente, vocês (150 voluntários), deram um show!
Arte: Gio Negromonte pic.twitter.com/9t0yl3nktb
— Gio (@negromontegio) May 12, 2025
Coordenado pelo artista e advogado Gio Negromonte, o projeto contou com apoio do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (Profice), da Copel, da Portos do Paraná e da Prefeitura de Paranaguá. A ONG Guardiões dos Manguezais também participou, garantindo que a sustentabilidade fosse integrada ao processo artístico.
Uma nova referência para o turismo local
Com o fim da pintura, o impacto foi imediato. Segundo o governo estadual e a Adetur Litoral, o fluxo de visitantes aumentou significativamente, em especial entre turistas internos. A ponte deixou de ser apenas uma rota de acesso e passou a ser destino em si: cenário de fotos, vídeos e eventos, viralizando nas redes sociais e ampliando a visibilidade da cidade.
Patrícia Assis, da Adetur, afirmou que a ação foi um “salto na valorização do litoral”, enquanto Irapuan Cortes, do Viaje Paraná, reforçou o papel da obra no fortalecimento do turismo cultural. O comércio local sentiu o reflexo: bares, restaurantes, lojinhas de artesanato e serviços turísticos registraram crescimento no movimento.
O uso do feriado de 1º de maio, Dia do Trabalhador, para a conclusão da pintura foi simbólico. Ao envolver a comunidade em uma data que celebra o esforço coletivo, o projeto conseguiu unir arte, história e valorização social em um só gesto.
Cultura, pertencimento e transformação urbana
Paranaguá, cidade mais antiga do Paraná e lar de cerca de 140 mil habitantes, já é conhecida por seu porto e por atrações como a Ilha do Mel e festas religiosas. No entanto, a ponte da Ilha dos Valadares ganhou um novo papel: além de funcional, tornou-se ponto de identidade regional.
Durante a execução, drones ajudaram no traçado dos grafismos e o prato típico barreado foi servido aos voluntários, reforçando os laços culturais do projeto. A ideia era mais do que colorir: era resgatar a conexão entre a população e o espaço urbano, transformando um trecho antes invisível da cidade em símbolo coletivo.
Negromonte afirma que, até onde se sabe, não existe intervenção urbana com pintura contínua maior que essa no mundo. Mas mais do que recordes, o projeto gerou pertencimento. O sucesso pode, inclusive, inspirar outras cidades do litoral paranaense a seguirem o exemplo.
Um novo capítulo para o mapa cultural do Paraná
Ainda não há definições sobre novos projetos semelhantes, mas o impacto da ponte colorida já é visível. Além do turismo, a intervenção artística fortaleceu a relação da população com seu território e despertou o interesse por outras formas de ocupação urbana criativa.
O “Projeto Andada” mostrou que arte pública, quando feita em parceria com a comunidade, pode mudar o modo como as pessoas se veem e se conectam com o lugar onde vivem. A ponte da Ilha dos Valadares não é apenas um caminho: é, agora, um símbolo de transformação, resistência cultural e celebração da identidade local.
[Fonte: Click Petroleo e gas]