Ficar em pé na prancha por 30 segundos já é um feito para muitos surfistas. Mas essa conquista se torna mais acessível quando as condições são controladas. No interior de São Paulo, uma piscina de ondas promete proporcionar sessões intensas de surfe em ambiente artificial, sem os obstáculos típicos do mar.
Ondas programadas, menos perrengue e mais surfe

A piscina de ondas do Boa Vista Village, em Porto Feliz (SP), é alimentada pela tecnologia PerfectSwell, desenvolvida pela empresa American Wave Machines. Com 220 metros de extensão e mais de 100 tipos de onda configuráveis, a piscina simula com precisão o movimento do mar. O local funciona dentro do Boa Vista Surf Lodge, um hotel de luxo voltado para surfistas — e também para quem quer apenas experimentar o esporte em grande estilo.
São nove níveis de dificuldade, com aulas coordenadas pela escola Ibrasurf. Na fase de testes, entrei no nível 2: uma onda de cerca de meio metro. A orientação do instrutor Thiago Berlese inclui dicas de entrada na água, posicionamento e leitura da onda. O sinal de que ela vem é sutil, mas claro: o barulho das turbinas aumenta, e a onda se forma repentinamente.
Mesmo com prática básica, é possível se manter em pé logo na primeira tentativa. Mas o destaque é a correnteza ao lado da parede, que ajuda no retorno e diminui o esforço. Em 15 minutos, você pode surfar até cinco ondas.
Nos níveis 3 e 4, a diferença está na força e na extensão da parede da onda. Mesmo com ondas semelhantes em altura, a exigência técnica aumenta.
Quanto custa e o que mais o local oferece
O acesso à piscina é exclusivo para hóspedes do hotel ou proprietários de imóveis no Boa Vista Village. A diária no Surf Lodge parte de R$ 3 mil para iniciantes, com aula teórica de 30 minutos, e chega a R$ 4 mil para níveis intermediário e avançado. Sessões extras variam de R$ 600 a R$ 2.500 por hora, conforme a complexidade da onda.
A experiência pode ser registrada com fotos e vídeos, incluindo imagens de drone feitas pelo fotógrafo Paulo Barcellos. Os pacotes visuais vão de R$ 200 a R$ 500.
Fora d’água, o hotel oferece piscina, sauna, quadra de beach tennis, spa, academia e um restaurante sofisticado. O cardápio aposta em frutos do mar, como o camarão ao champagne (R$ 199), e o relaxamento pós-surfe pode incluir massagem e chá de amêndoas. A ambientação é 100% temática: dos quadros nas paredes ao papel higiênico com pranchas de surfe impressas. No meio de tanto luxo, até a água de coco tem preço de praia badalada: R$ 17.
Surfe sem mar, mas com emoção
Se há quem critique as piscinas de onda por tirarem a essência do surfe, a experiência vivida no interior de São Paulo mostra que há espaço para ambas as formas. A sensação de deslizar sobre uma onda perfeita, sem multidões ou espera, é irresistível — e revela um novo capítulo para o surfe no Brasil. Ideal para quem quer aprender, treinar ou apenas se divertir em grande estilo.
[Fonte: UOL]