A exploração lunar volta a ser destaque mundial com a missão Artemis 2, a primeira tripulada desde os tempos das missões Apolo. Quatro astronautas estão se preparando para uma jornada de dez dias em torno da Lua, mas o cronograma extremamente apertado gera dúvidas sobre a viabilidade de um lançamento já em fevereiro de 2026.
O plano ousado da NASA
Artemis 2 representa a etapa mais desafiadora da NASA desde o último pouso lunar em 1972. A agência anunciou que a missão pode ser lançada em 5 de fevereiro de 2026 ou, em caso de atrasos, em abril do mesmo ano. A pressão é enorme: os Estados Unidos querem consolidar sua liderança no espaço, diante de tensões geopolíticas e da chamada “segunda corrida espacial”.
Lakiesha Hawkins, administradora associada da NASA, destacou que o objetivo é ser pioneiro no retorno humano à Lua, mas sem comprometer a segurança da tripulação.
Onde está Artemis 2 agora
A missão utilizará o megafoguete do Sistema de Lançamento Espacial (SLS) para levar a cápsula Orion e quatro astronautas em uma trajetória de “retorno livre”, garantindo que a nave volte à Terra mesmo sem entrar em órbita lunar.
A tripulação será composta por Reid Wiseman, comandante; Victor Glover e Christina Koch, ambos da NASA; e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.
O SLS está no Centro Espacial Kennedy desde maio e já possui seus propulsores sólidos acoplados. O próximo passo é integrar a cápsula Orion, atualmente em fase final de preparação. Em agosto, chegou o adaptador de estágio, responsável por conectar Orion ao foguete e proteger a nave durante o lançamento, além de transportar cubesats que serão liberados na missão.
O que precisa acontecer antes da decolagem
Depois que os cubesats forem instalados, a Orion será posicionada sobre o SLS, formando a pilha completa. A estrutura será levada até a plataforma de lançamento no início de 2026, onde será conectada aos sistemas terrestres.
Duas semanas depois, a NASA fará um “ensaio geral”, abastecendo o foguete com propelentes e simulando a contagem regressiva até o ponto imediatamente anterior à ignição. Caso o teste seja bem-sucedido, o combustível será drenado e o veículo estará pronto para o lançamento.
Embora o processo pareça direto, cada etapa leva semanas e pode sofrer imprevistos. Na Artemis 1, por exemplo, o foguete levou oito meses entre a ida à plataforma e o lançamento, devido a atrasos técnicos e até ao impacto do furacão Ian.
Obstáculos no caminho
Além dos desafios técnicos, a NASA enfrenta cortes orçamentários significativos. A proposta de orçamento do governo Trump para 2026 prevê uma redução de quase 25% no financiamento da agência. Desde janeiro, milhares de funcionários deixaram a NASA, diminuindo sua força de trabalho em 20%.
Esse cenário aumenta a incerteza sobre o cumprimento do prazo. A janela de 5 de fevereiro parece apertada, mas não impossível. Cada avanço nos preparativos será determinante para saber se a missão mais ambiciosa da era Artemis realmente poderá decolar tão cedo.