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“A China não faz guerras”: recado de Pequim em meio à pressão dos EUA

Enquanto os Estados Unidos tentam isolar a Rússia com tarifas e sanções, a China reafirma sua posição: não entra em guerras nem as planeja. O chanceler Wang Yi reforçou a mensagem em coletiva na Eslovênia, num momento em que a guerra na Ucrânia continua a moldar alianças e tensões globais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A fala de Wang Yi ocorre logo após os EUA pedirem que aliados imponham tarifas sobre compradores de petróleo russo. Washington mira enfraquecer Moscou, mas evita confrontar diretamente a China, parceira estratégica do Kremlin. O discurso expõe como Pequim tenta equilibrar diplomacia, economia e neutralidade em um dos conflitos mais tensos do século.

A guerra na Ucrânia não envolve apenas Moscou e Kiev. Ela redesenha relações diplomáticas, pressiona economias e força grandes potências a tomarem posição. Enquanto os Estados Unidos intensificam tarifas e sanções para sufocar a Rússia, a China aposta em uma mensagem pública de neutralidade — mas que, para analistas, carrega nuances geopolíticas.

O recado de Wang Yi

Neste sábado (13), em Liubliana, capital da Eslovênia, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, declarou que Pequim “não participa de guerras nem as planeja”. Ao lado de seu colega esloveno, Wang reforçou que “a guerra não pode resolver problemas, e as sanções apenas os complicam”, segundo nota oficial de seu ministério.

A fala acontece poucos dias após os EUA pedirem a países aliados que elevem tarifas contra compradores de petróleo russo, numa tentativa de cortar receitas de Moscou. A medida já atinge a Índia, mas, até agora, a Casa Branca tem evitado punir diretamente a China — parceira de longa data do Kremlin.

O alvo de Washington

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A iniciativa do governo Trump busca enfraquecer a máquina de guerra de Vladimir Putin, que mantém ofensivas no leste da Ucrânia desde 2022. As tarifas impostas a Nova Délhi pela compra de cargas russas sinalizam até onde os EUA estão dispostos a ir, mas a ausência de medidas contra Pequim revela o peso estratégico da relação entre China e Rússia.

Pequim, por sua vez, reforça publicamente que não fornece armas nem financia a guerra, ainda que mantenha laços comerciais robustos com Moscou. Esse equilíbrio é visto por analistas como uma forma de proteger seus interesses econômicos sem se alinhar completamente ao Ocidente.

A guerra no leste europeu

A invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, alterou o mapa da região. Hoje, Moscou controla cerca de 20% do território ucraniano. Ainda no mesmo ano, Putin decretou a anexação de quatro áreas — Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia — em um movimento rejeitado pela comunidade internacional.

No campo de batalha, os avanços russos são lentos, mas consistentes. Kiev, por sua vez, tem intensificado ataques dentro da própria Rússia, mirando infraestrutura militar estratégica. Moscou responde com bombardeios e drones. Ambos os lados negam mirar civis, mas o saldo humano é devastador: milhares de mortos, em sua maioria ucranianos, e estimativas de 1,2 milhão de feridos ou mortos desde o início do conflito, segundo Washington.

O papel de Trump e a pressão por paz

No centro das tensões diplomáticas está Donald Trump. De volta à Casa Branca, o presidente norte-americano pressiona aliados e rivais por um acordo que encerre a guerra, enquanto tenta aumentar o custo da resistência russa com sanções e tarifas.

Ao mesmo tempo, Pequim resiste em se alinhar automaticamente a Washington. Ao adotar um discurso contra a guerra, mas sem cortar laços comerciais com Moscou, a China se coloca como peça-chave num tabuleiro onde neutralidade é, ao mesmo tempo, estratégia e influência.

Neutralidade ou pragmatismo?

A mensagem de Wang Yi pode soar como apelo à paz, mas também funciona como sinal político: Pequim quer se mostrar distante de qualquer envolvimento direto, sem abrir mão de sua parceria estratégica com a Rússia. Essa postura equilibra diplomacia e pragmatismo econômico, mantendo a China no centro das negociações globais — ainda que em silêncio calculado.

Com a guerra prestes a completar quatro anos, o posicionamento chinês será cada vez mais determinante. Se as tarifas dos EUA apertarem a Rússia e seus parceiros, Pequim terá de decidir até onde vai seu discurso de neutralidade — e quanto está disposta a arriscar em nome de sua própria agenda global.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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