Durante anos, falar em animação comercial era quase sinônimo de Disney e Pixar. Mas, no início da década de 2010, uma franquia ousou desafiar esse domínio e acabou criando algo raro: uma saga de fantasia emocionalmente madura, capaz de crescer junto com seu público. Mais de uma década depois, com bilhões arrecadados e um retorno triunfal ao streaming, essa história prova que não foi apenas um fenômeno passageiro — foi um ponto de virada para toda uma geração.
A fantasia que definiu uma geração
Assim como a Geração X e os millennials cresceram com aventuras como Os Goonies, A Princesa Prometida, A História Sem Fim, Harry Potter ou Shrek, a Geração Z também ganhou sua própria mitologia cinematográfica. E poucas franquias representam isso tão bem quanto Como Treinar o Seu Dragão.
Lançado em 2010, o primeiro filme, dirigido por Chris Sanders e Dean DeBlois, chegou sem o peso de uma marca gigante por trás — mas rapidamente conquistou o público. Não apenas pela qualidade da animação, que já era impressionante para a época, mas por algo mais raro: uma sensibilidade narrativa que tratava seu público infantil com respeito.
A história de Soluço, um adolescente inseguro em uma vila viking obcecada por matar dragões, não seguia o caminho mais óbvio. Em vez de exaltar força bruta e heroísmo tradicional, o filme apostava em empatia, dúvida, conflito interno e escolhas difíceis. Era uma fantasia que falava de pertencimento, diferença e responsabilidade — temas universais que ressoaram tanto com crianças quanto com adultos.
Esse tom mais maduro fez com que a franquia fosse vista, desde cedo, como algo diferente do padrão dominante da época. A DreamWorks arriscou ao construir personagens que realmente mudavam com o tempo, sofriam perdas e lidavam com consequências reais. E o público respondeu.
Muito mais do que uma alternativa às gigantes da animação
O sucesso do primeiro filme abriu caminho para uma trilogia completa. Como Treinar o Seu Dragão 2 e Como Treinar o Seu Dragão 3 não apenas repetiram a fórmula: aprofundaram a jornada emocional dos personagens e encerraram a história com uma maturidade pouco comum no cinema de animação.
Ao longo das três produções, a relação entre Soluço e Banguela evolui de forma orgânica, acompanhando o crescimento do próprio público que assistia à saga desde criança. O resultado foi uma trilogia coesa, com começo, meio e fim claros — algo cada vez mais raro em franquias modernas.
No total, a trilogia animada arrecadou cerca de 1,7 bilhão de dólares em bilheteria mundial. Mas o impacto cultural foi ainda maior. Para muitos espectadores, foi a prova definitiva de que havia, sim, vida além da Disney e da Pixar dentro da animação comercial de grande escala.
Seis anos após o encerramento da trilogia animada, a franquia entrou na onda dos live-actions. A nova versão de Como Treinar o Seu Dragão, novamente dirigida por Dean DeBlois, estreou em 2025 e terminou o ano como a oitava maior bilheteria mundial, com mais de 636 milhões de dólares arrecadados.
Com isso, a saga ultrapassou a marca de 2,2 bilhões de dólares em bilheteria acumulada, consolidando-se como uma das franquias de fantasia mais bem-sucedidas do século XXI.
Um retorno perfeito na era do streaming
Por um período curioso, a trilogia animada original ficou fora das grandes plataformas de streaming, algo surpreendente para uma franquia tão influente. Esse hiato terminou.
Atualmente:
– A trilogia animada original está disponível na Netflix.
– A saga completa, incluindo o live-action, pode ser vista no SkyShowtime.
É a chance ideal para redescobrir a história — ou para que uma nova geração tenha o primeiro contato com esse universo.
A trama é conhecida, mas nunca perde força: na ilha viking de Berk, dragões são inimigos mortais. Soluço sonha em se tornar um grande caçador como seu pai, Stoico, o líder da tribo. Tudo muda quando ele derruba um Fúria da Noite, a criatura mais temida de todas, e decide poupá-la. Assim nasce Banguela, um dos personagens mais queridos da história da animação.
Mais do que nostalgia, Como Treinar o Seu Dragão continua funcionando porque fala de temas que não envelhecem: empatia, diferença, responsabilidade, amadurecimento e despedidas. É por isso que a franquia não pertence apenas à Geração Z — ela pertence a qualquer pessoa que ame fantasia bem contada e personagens que realmente crescem.
Hoje, disponível novamente no streaming, essa saga lembra que dragões não servem apenas para voar. Eles também ensinam a crescer.