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Ciência

A surpreendente razão cerebral por trás da dificuldade em acordar bem

Se acordar com disposição parece um sonho distante, a ciência pode ter encontrado pistas no seu cérebro. Um novo estudo revelou que o tipo de sono em que você está ao ser despertado influencia diretamente como se sente ao acordar — e os resultados são mais complexos do que se imaginava.
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Tempo de leitura: 2 minutos

 Acordar revigorado não depende apenas de dormir cedo ou evitar telas antes de deitar. Segundo uma nova pesquisa publicada na Current Biology, o segredo pode estar na forma como o cérebro “desperta” internamente. Um grupo de neurocientistas estudou os padrões cerebrais ao longo de mais de mil despertares e identificou um curioso detalhe que pode explicar por que algumas manhãs parecem tão difíceis.

O experimento: 1.000 despertares e muitos fios na cabeça

Pesquisadores do Instituto Holandês de Neurociência monitoraram 20 voluntários enquanto dormiam. Ao todo, registraram mais de mil episódios de despertar, alguns naturais e outros provocados por alarmes.

Cada participante teve 256 sensores conectados ao couro cabeludo. Isso permitiu que os cientistas acompanhassem, segundo a segundo, como o cérebro “acordava”. Depois, compararam esses dados com a sensação subjetiva de cansaço relatada pelos voluntários.

REM x não-REM: quando acordar no meio de um sonho te derruba

O resultado mais surpreendente foi a diferença entre os tipos de sono. Ao despertar durante o sono REM — estágio associado a sonhos vívidos —, os participantes relataram se sentir mais cansados. Já os que acordaram fora do REM se mostraram mais alertas.

O padrão de ativação cerebral também mudou. No sono REM, a onda de “despertar” começou no córtex pré-frontal — responsável por decisões e controle executivo — e foi lentamente até a parte visual do cérebro. No sono não-REM, essa onda se iniciava em uma região central do cérebro, mas seguia o mesmo caminho da frente para trás.

A importância de entender como o cérebro acorda

Segundo Francesca Siclari, autora sênior do estudo, o mais surpreendente foi a consistência desses padrões: “Eles se repetiam em todos os despertares e estavam fortemente ligados à percepção de cansaço.”

Entender essa dinâmica cerebral pode ser um passo importante para ajudar pessoas que têm dificuldades constantes para acordar bem, mesmo após várias horas de sono. Os cientistas acreditam que estudar outros fatores, como movimentação durante o sono ou interrupções, pode aprofundar ainda mais esse conhecimento.

O despertar do futuro?

Além da percepção subjetiva dos voluntários, os pesquisadores esperam, no futuro, utilizar medidas mais objetivas para avaliar a qualidade do despertar. Isso ajudaria a criar diagnósticos mais precisos para distúrbios do sono e até estratégias personalizadas para acordar melhor.

Conhecer o padrão cerebral de um despertar normal nos permite compará-lo com despertares anormais”, conclui Siclari. Com isso, talvez um dia acordar revigorado seja menos um mistério… e mais uma ciência.

 

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